O que a linguística variacionista leu em Saussure sobre o conceito de fala?

Breno Rezende

Resumo


Neste trabalho, procedemos a um exame do movimento de teorização saussuriano a fim de refletir sobre o lugar da fala na teoria postulada pelo linguista genebrino, investigando a abordagem do conceito nas notas dos cadernos dos alunos (KOMATSU et. al., 1993; 1996; 1997) que frequentaram os Cursos de Linguística Geral ministrados em Genebra, que deram origem à edição de 1916 do Curso de Linguística Geral organizado por C. Bally e A. Sechehaye. Além disso, nosso exame também se extendeu à edição do Curso ([1916]; 2012). Nós partimos da hipótese de que Saussure reconhecia a importância da fala para o estudo da linguagem, mas optou por desenvolver o conceito segundo o qual ele acreditava que todas as línguas poderiam ser estudadas de um ponto de vista científico. Nós percebemos que a questão da fala era sempre imposta ao pensamento do autor e que não raras vezes recebeu um tratamento teórico, embora não tenha sido uma noção tão desenvolvida como a noção de língua. Contrapomos esse exame a uma leitura de W. Labov ([1979]; 2008), reconhecendo que o lugar da fala na teoria de Saussure está condicionado a uma espécie de padrão epistemológico em que o estudioso investiu, além de parecer demonstrar que lidar com tal teoria demanda um exame cauteloso de um material demasiadamente vasto e complexo produzido pelo autor e que foi deixado de herança para a Linguística.

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DOI: https://doi.org/10.18554/ri.v10i1.1851

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 ISSN 1981-0601

 Qualis B2 (LINGUíSTICA E LITERATURA/ Quadriênio 2013-2016)