O TRATAMENTO DA VARIAÇÃO DOS DEMONSTRATIVOS EM ESPANHOL E EM PORTUGUÊS : UMA ANÁLISE NORMATIVA

Leandro Silveira de Araújo, Graziela Bassi Pinheiro

Resumo


Este estudo compara os usos dos demonstrativos conforme descritos por gramáticas de língua portuguesa (este, esse, aquele) e de língua espanhola (este, ese, aquel), isso para identificar o tratamento variacionista no uso dessas formas. O interesse decorre da redução no sistema ternário dos demonstrativos, observável em ambas as línguas. No português, nota-se uma neutralização de “esse” e “este”, tornando-os formas variáveis que se opõem a “aquele” – referente ao que não está no domínio da 1ª e 2ª pessoas. No espanhol, por sua vez, observa-se a existência de duas normas: (i) “ese” encaixa-se no campo funcional de “aquel”, estabelecendo uma variável que se opõe a “este” – o que está no domínio da 1ª e 2ª pessoas; (ii) “ese” encaixa-se no campo funcional de “este”, estabelecendo uma variável que se opõe a “aquel” – o que não está no domínio da 1ª e 2ª pessoas, a exemplo do que ocorre em português. Diante dessas particularidades, espera-se, com este trabalho, entender (i) como as gramáticas de ambas as línguas descrevem o uso dos demonstrativos, (ii) identificar pontos de semelhança e diferença entre essas línguas, (iii) analisar como é contemplada a variação no uso dessas formas no registro gramatical. Para tais análises, serão consultadas, entre outras, as gramáticas de Pasquale e Infante (2010), Bagno (2012, 2013), Neves (2000, 2018), Cunha e Cintra (2016) e Bechara (1977). Em língua espanhola, as obras de Bello (2004), Di Tullio (2017), Hernández Alonso (1996), Torrego (2002), Bosque e Demonte (1999) e RAE (1982, 2010).


Palavras-chave


demonstrativos; norma linguística; variação linguística; língua portuguesa; língua espanhola.

Texto completo:

PDF

Referências


ALÉONG, Stanley. Normas lingüísticas, normas sociais: uma perspectiva antropológica. In:

ANTUNES, Irandé. Muito além da gramática: por um ensino de línguas sem pedras no caminho. São Paulo: Parábola, 2007.

BAGNO, Marcos. Gramática pedagógica do português brasileiro. São Paulo: Parábola, 2012.

BAGNO, Marcos. Gramática de bolso do português brasileiro. São Paulo: Parábola, 2013.

BAGNO, Marcos. Objeto língua. São Paulo: Parábola, 2019.

BELLO, Andrés. Gramática de la lengua castellana. Madrid: EDAF, 2004.

BECHARA, Evanildo Moderna gramática portuguesa. Rio de Janeiro: Companhia Editora Nacional, 1977.

BOSQUE, Ignacio; DEMONTE, Violeta. Gramática descriptiva de la lengua española. Madrid: Espasa, 1999.

CASTILHO, Ataliba Teixeira. Os mostrativos no português falado. In: CASTILHO, Ataliba Teixeira. Gramática do português culto falado no Brasil. Campinas: Editora da Unicamp. 1993, p. 119-138. Vol. III.

CÂMARA JR., Joaquim Mattoso. Estrutura da língua portuguesa. 40 ed. Petrópolis: Vozes, 2007.

COSERIU, Eugenio. Sistema, norma y habla. In: COSERIU, Eugenio. Teoría del lenguaje y lingüística general. 3 ed. Madrid: Gredos, 1962.

CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 7 ed. São Paulo: Lexikon, 2016.

DI TULLIO, Ángela. Manual de gramática del español. Buenos Aires: Walhuter Editores, 2017.

FARACO, Carlos Alberto. Norma culta brasileira – desatando alguns nós. São Paulo: Parábola, 2008.

FARACO, Carlos Alberto; ZILLES, Ana Maria. Para conhecer norma linguística. São Paulo: Contexto, 2017.

EGUREN, Luis J. Pronombres y adverbios demostrativos. Las relaciones deícticas. En: BOSQUE, Ignacio; DEMONTE, Violeta. Gramática descriptiva de la lengua española. Madrid: Espasa, 1999. p.929 – 972.

HERNÁNDEZ ALONSO, César. Gramática funcional del español. 3 ed. Madrid: Gredos, 1996.

GONZÁLEZ, Neide Maia. Cadê o pronome? O gato comeu: os pronomes pessoais na aquisição/aprendizagem do espanhol por brasileiros adultos. 1994. Tese (Doutorado em Linguística) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humana, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1994.

ILARI, Rodolfo; BASSO, Renato. O português da gente: a língua que estudamos a língua que falamos. São Paulo: Contexto, 2006.

KANY, Charles. Sintaxis hispanoamericana. Madri: Gredos, 1969.

LABOV, William. Padrões sociolingüísticos. Trad. Marcos Bagno. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.

MOREIRA, Gisele Souza. Os demonstrativos no português do Brasil e no espanhol: discutindo a construção de referências nas duas línguas e os diferentes graus de (in)definição em algumas expressões com demonstrativos. 2012. Dissertação (Mestrado em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-Americana) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2013.

MOREIRA, Gisele Souza. As séries de demonstrativos: mais assimetrias. In:FANJUL, Adrián Pablo; GONZÁLEZ, Neide Mais. Espanhol e Português brasileiro: estudos comparados. São Paulo: Parábola Editorial, 2014. p.95-111.

NEVES, Maria Helena de Moura. Gramática de usos do português. São Paulo: Editora UNESP, 2000.

NEVES, Maria Helena de Moura. A gramática do português revelada em textos. São Paulo: Editora UNESP, 2018.

PASQUALE, Cipro Neto: INFANTE, Ulisses. Gramática da língua portuguesa. São Paulo: Scipione, 2010.

TORREGO, Leonardo Gómez. Gramática didáctica del español. 8 ed. Madrid: SM, 2002.

RAE. Esbozo de una nueva gramática de la lengua española. Madrid: Espasa, 1982.

RAE. Manual de la nueva gramática de la lengua española. Madrid: Espasa, 2010.

RAZKY, Abdelhak. SANCHEZ, Romário Duarte. Variação geossocial do item lexical riacho/córrego nas capitais brasileiras. Gragoatá, 40, 2016, p. 70-89.

STRADIOTO, Sara Alves. Deixis na Romania nova: o lugar dos demonstrativos no português de Belo Horizonte e no Espanhol do México. 2012. Dissertação (Mestrado em Estudos Linguísticos) - Faculdade de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2012.




DOI: https://doi.org/10.18554/ri.v13i1.4666

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


 ISSN 1981-0601

 Qualis B2 (LINGUíSTICA E LITERATURA/ Quadriênio 2013-2016)