CRENÇAS E ATITUDES LINGUÍSTICAS: EM BUSCA DA PEDAGOGIA DA VARIAÇÃO LINGUÍSTICA NO ENSINO DE LÍNGUA ESPANHOLA

Vanessa Cruz Mantoani, Joyce Elaine de Almeida Baronas

Resumo


Pretende-se, no presente estudo, discutir alguns desafios sociolinguísticos enfrentados pelos professores de Língua Espanhola no Brasil e promover uma reflexão sobre a necessidade de uma Pedagogia da Variação Linguística em aulas de Espanhol. Tendo em vista a realidade sociolinguística hispânica, conforme apresentada por Moreno Fernández (2017), buscou-se alicerce nos pressupostos da Sociolinguística Educacional (BORTONI-RICARDO, 2005), mais especificamente nos estudos relacionados a crenças e atitudes e analisaram-se respostas a questionário elaborado a fim de identificar crenças e atitudes de professores de Língua Espanhola de escolas do Paraná. Embora os dados apontem para uma compreensão da necessidade de abordagem de variedades do idioma, contataram-se ainda algumas crenças que dizem respeito à preferência por determinada variedade, considerada “mais bem compreendida” em detrimento das demais. A partir da reflexão a respeito dos dados obtidos, defende-se, a necessidade de se colocar em prática a Pedagogia da Variação Linguística, proposta por Faraco (2008), com o objetivo de minimizar e/ou desconstruir crenças e atitudes linguísticas (CYRANKA, 2007; 2014; 2016) relacionadas à abordagem das variedades linguísticas da Língua Espanhola.

Palavras-chave


Abordagem sociolinguística; Crenças e atitudes linguísticas; Ensino de Língua Espanhola

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DOI: https://doi.org/10.18554/ri.v13i1.4725

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 ISSN 1981-0601

 Qualis B2 (LINGUíSTICA E LITERATURA/ Quadriênio 2013-2016)