A ESCRITA COMO ESPACIALIDADE INCENTIVADORA DO DESEJO EM PRESENÇA DE ANITA

Ana Carolina Sanches Borges

Resumo


Para o registro da obra escrita, muitos instrumentos são utilizados como espaço:
papel, computador, pano, etc. No romance  Presença de Anita (2001), de Mário
Donato, um local que cria condições para o surgimento do erotismo é o papel.
Eduardo, arquiteto, desde muito jovem delineia seu  ideal de mulher sobre uma folha
quadriculada e, na medida em que preenche a lâmina com a forma do corpo feminino,
o elemento voluptuoso passa a ser destacado. A corporeidade traçada passa a refletir
os anseios do personagem, que busca prazer no que está fazendo. O tratamento dado
ao espaço lingüístico recebe destaque e como que se erotiza na busca pelo nome
perfeito da figura desenhada pelo protagonista. Portanto, o trabalho com a linguagem
em Presença de Anita faz com que o erotismo se una ao espaço, criando um ambiente
em que a escrita se torna um lugar de desejo, caracterizado pela liberação da pulsão
sexual. Nela, Eduardo revela suas incertezas, suas  angústias e seus desejos mais
ocultos. Em tal espacialidade, os sentimentos das personagens acabam sendo
ressaltados, deixando-se recobrir de mistérios e de desejos e erotizando-se por isso.

Palavras-chave: Erotismo; espaço; romance; psicanálise.



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DOI: https://doi.org/10.18554/ri.v1i02.82

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 ISSN 1981-0601

 Qualis B2 (LINGUíSTICA E LITERATURA/ Quadriênio 2013-2016)