Diagnóstico Ambiental de Cursos d´água Urbanos Tributários da Bacia Hidrográfica do Rio Paranapanema nos Estados de São Paulo e Paraná

Armando Castello Branco Jr., Ana Amábile Borda, Camila da Silva, Gessica Loanda Silva, Maria Fernanda Rizzo

Resumo


Embora os comitês de bacias hidrográficas realizem relatórios periódicos sobre a qualidade das águas, estas análises são baseadas em amostragem nos cursos d´água de maior volume não refletindo a realidade dos mananciais menores, especialmente daqueles que atravessam áreas urbanas de pequenos municípios. Objetivou-se realizar o diagnóstico ambiental de mananciais urbanos com base em critérios físico-químicos, microbiológicos e  ecológicos. Desta forma, não apenas a qualidade das águas mas também o atendimento ao enquadramento legal para seus usos foram investigados além da influência antrópica sobre os mananciais. Este estudo foi realizado em 6 cursos d´água da Bacia Hidrográfica do rio Paranapamena em 4 municípios; Santo Antônio da Platina e Jundiaí do Sul, na bacia do Rio das Cinzas, no Norte Pioneiro do Paraná e; Fartura e Ipaussu, ambos tributários da bacia do Alto Paranapanema no Estado de São Paulo. Foram demarcadas estações de amostragem de água em cada manancial para avaliação físico-química e microbiológica. Foram verificados temperatura, oxigênio dissolvido, dureza, amônia, ferro, fosfato, pH, turbidez e cloreto por meio de kit colorimétrico de campo. A análise microbiológica foi feita pela técnica de disseminação com meios de cultura Agar-Nutriente e MacConkey. O impacto da atividade antrópica nos mananciais também foi investigado pela aplicação de protocolo de avaliação ecológica rápida. Os resultados mostraram o não atendimento a vários parâmetros legais para cursos d´água Classe 2 e a possibilidade de risco a saúde humana e à preservação das comunidades aquáticas. Foram revelados diferentes níveis de interferência humana e correlações entre parâmetros de qualidade d água.


Palavras-chave


Recursos hídricos; Qualidade de água; Avaliação ecológica rápida; Gestão ambiental.

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DOI: https://doi.org/10.18554/rbcti.v4i3.3633

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