Caracterização dos casos notificados de violência interpessoal e autoprovocada

Ana Lígia Fernandes Reis, Sônia Aparecida da Cruz Oliveira, Gabriela Martins Espolador, Alexandre Lins Werneck

Resumo


O artigo teve como objetivo caracterizar casos de notificações de violência. Este é um estudo quantitativo, com delineamento descritivo, de corte transversal, realizado com dados do Sistema de Informações de Agravos de Notificação, considerando dados do ano de 2015 da cidade de São José do Rio Preto, SP. Foram elaboradas tabelas considerando-se padrão de análise de significância de p<0,05, com nível de confiança de 95%. Houveram registros de 1.698 casos, das quais 71,2% no sexo feminino. A violência física acometeu 54,4% e a negligenciada 34,3%. A idade de 0- 9 anos representaram 81,9% da negligenciada, com maior ocorrência em 69% na residência. A mãe, seguida do pai foram os principais agressores nas idades de 0-9 anos (68,8%) e (31,4%) e, de 10-19 anos (28,4%) e (15%). Alto grau de incidência da própria pessoa - autoprovocada (67,9%), (20-39-40) anos ou mais. Encaminhados para o Conselho Tutelar nas faixas etárias de 0-9 anos (84,2%), e 10-19 anos (61,8%), e entre 20-39 anos ao atendimento à mulher e Delegacia da Mulher em 44% e 52% respectivamente. A pesquisa mostrou a necessária articulação e organização entre as redes de apoio e mais pesquisas destacando as questões das violências por ciclos de vida para elaboração de ações de prevenção e controle.


Palavras-chave


Notificação; Violência doméstica; Maus-tratos Infantis; Violência contra a mulher; Maus-tratos ao idoso

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DOI: https://doi.org/10.18554/refacs.v7i1.2195

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