Concepções de cuidado e relações de poder na saúde da mulher

Eunice Almeida da Silva, Maristela Belletti Mutt Urasaki, Quézia Rebeca Silva Flores

Resumo


Este estudo teve como objetivos analisar a trajetória das concepções de cuidar, as bases teóricas que sustentam o planejamento para o cuidado e os jogos de poder que entrelaçam a relação entre o profissional e a mulher assistida. Investigou-se artigos nas bases Scielo, Lilacs e Medline; bem como, foram realizadas entrevistas com profissionais de saúde. As concepções de cuidar e o planejamento do cuidado, frequentemente, permanecem reduzidos ao saber técnico científico. Os profissionais entrevistados citaram o processo de trabalho como um fator determinante para limitar a concepção do cuidar a princípios técnicos. Embora o processo de trabalho em saúde, em geral, favoreça a relação assimétrica entre a pessoa assistida e o profissional, reforçando e fixando as relações de poder por indicar quem detém o saber legítimo para cuidar e planejar o cuidado, o profissional deve questionar o “lugar” que ocupa e o saber que detém como representação de uma verdade a ser seguida.


Palavras-chave


Padrão de cuidado; Saúde da mulher; Poder

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DOI: https://doi.org/10.18554/refacs.v6i1.2795

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