Vulnerabilidade programática para insegurança alimentar de crianças expostas ao HIV: revisão integrativa

Marília Alessandra Bick, Cristiane Cardoso de Paula

Resumo


Revisão integrativa, realizada nas bases LILACS, IBECS, PubMed e Scopus, em setembro de 2019, com o objetivo de analisar as evidências da literatura científica os fatores que influenciam a vulnerabilidade programática para insegurança alimentar de crianças expostas ao HIV. Foram incluídos 22 artigos primários publicados em português, inglês ou espanhol. A análise das evidências possibilitou a integração dos resultados desses artigos em três fatores que aumentam ou diminuem a vulnerabilidade: opções de alimentação, conhecimentos de atitudes e práticas dos profissionais e estrutura dos serviços. Como fatores de risco: burocracia para acesso gratuito à fórmula láctea, falha nas orientações para boas práticas de alimentação, estigma, mudanças nas diretrizes, acesso a diferentes serviços e insumos insuficientes. Concluímos que há necessidade de qualificar as orientações de opções de alimentação para as famílias dessas crianças, articulando as diretrizes das políticas públicas com as práticas dos profissionais de saúde e a estrutura dos serviços.


Palavras-chave


HIV; Transmissão Vertical de Doença Infecciosa; Nutrição do lactente; Políticas Públicas de Saúde

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DOI: https://doi.org/10.18554/refacs.v8i1.3918

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