ESCOLA, PODER E CAMPO LINGUÍSTICO: REFLEXÕES SOB AS LENTES DA SOCIOLINGUÍSTICA E DO PODER SIMBÓLICO

Amanda Rosa Silva, Daniele Campos Botelho, Natália Aparecida Morato Fernandes

Resumo


RESUMO

Em um exercício de revisão bibliográfica, este estudo propõe uma discussão sobre o ensino de língua materna institucionalizada sob as perspectivas da Sociologia e da Sociolinguística. Para tal, fundamenta-se nas contribuições de Bagno (2011), Marcuschi (1997), Bechara (2009) Saussure (1995) e Bourdieu (1998). 

Considerando a língua enquanto prática social, e, portanto, aspecto da cultura e importante traço do processo identitário dos sujeitos, reconhece-se a necessidade de ponderar práticas linguistas de variantes menos prestigiadas socialmente, admitindo a língua como signo de poder e instrumento de integração social – de conhecimento e de comunicação – possibilitando diretamente a leitura de e a relação com o mundo e, por extensão, a reprodução ou transformação da ordem social.

Por conseguinte, relacionando o poder simbólico, advindo da teoria bourdieusiana, com o preconceito linguístico de Bagno, depreende-se que os processos de exclusão linguística e de exclusão social estão intimamente ligados, impactando os lugares sociais e lugares de fala.

Partindo de uma análise da instituição escolar – espaço cuja função, socialmente difundida, seria de promover possibilidades de mobilidade social por meio da apropriação de conhecimento - pretende-se ponderar a relação entre ensino de língua, a constituição do campo linguístico e o poder simbólico, visando os impactos que acabam por perpetuar e legitimar as desigualdades sociais, consolidar os lugares de fala e perpetrar o habitus da classe hegemônica dominante.

 

 

 


Palavras-chave


ensino de língua; preconceito linguístico; poder simbólico; lugar de fala.

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Referências


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