A constituição dos sujeitos e a fragmentação de si em “O Médico e o Monstro”, de Robert Louis Stevenson

Bruno Drighetti

Resumo


No presente artigo, apresentamos por objetivo realizar uma investigação sobre os processos de constituição dos sujeitos de Dr. Jekyll e Mr. Hyde na obra “O Médico e o Monstro” (STEVENSON, 2014), bem como propor uma problematização acerca da dispersão das subjetividades na referida obra, elementos que acompanham a constituição discursiva das duas personagens que, a princípio, são tidas como antagônicas. O texto literário é concebido, portanto, como o ambiente em que emergem aspectos de sua exterioridade. Para fomentar essas reflexões, amparamo-nos em teorias da Análise do Discurso Francesa (PÊCHEUX, 1995), além de Michel Foucault (1978; 1987; 2001a; 2001b) para se pensar, principalmente, as questões da disciplina, da monstruosidade e da anormalidade. Como a análise nos sugere, o sujeito Jekyll é, durante a narrativa, interditado, gradualmente, dando lugar a uma subjugação a Hyde e sendo encaminhado, deste modo, à sua morte discursiva.


Palavras-chave


O Médico e o Monstro; Análise do Discurso; Constituição do Sujeito; Foucault.

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Referências


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DOI: https://doi.org/10.18554/rs.v8i2.4040

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ISSN: 1983-3873