A clausura feminina em A corda de prata, de Lúcio Cardoso, e Mathilda, de Mary Shelley

Autores

  • Leonardo Ramos Botelho Gomes UERJ-FFP
  • Fernando de Barros Monteiro Junior UERJ

DOI:

https://doi.org/10.18554/rs.v9i2.4110

Palavras-chave:

Gótico, Vampirismo, Lúcio Cardoso, Mary Shelley

Resumo

O presente trabalho propõe uma análise gótica do texto dramático A corda de prata (1947), do escritor mineiro Lúcio Cardoso, no qual problematiza-se a família burguesa, a condição da mulher no espaço doméstico e a desintegração da mesma neste ambiente repressor, cujo resultado culminará em loucura e crime. Compreendendo e realçando a clausura como espaço de manifestação vampírica, pretende-se apontar o vampirismo sofrido pela personagem feminina como condição viável ao rompimento com uma dada repressão social. Ao mesmo tempo, estabelece-se um diálogo com a novela Mathilda (1820), da escritora inglesa Mary Shelley, a fim de identificar similaridades temáticas e de composição de personagens e espaços da tradição literária gótica inglesa que figurarão, a seu modo, no texto cardosiano. A fim de embasar as questões elencadas, recorre-se às considerações de Maria da Conceição Monteiro, bem como às de Jaime Ginzburg com relação à violência, Christopher Lasch no que tange a domesticidade burguesa, e a Claude Lecouteux e Mario Praz acerca de questões ligadas ao gótico e ao mito vampírico.

Biografia do Autor

Leonardo Ramos Botelho Gomes, UERJ-FFP

Graduado em Letras - Língua Portuguesa e Literaturas pela Faculdade de Formação de Professores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), campus de São Gonçalo. Mestrando em Estudos Literários pelo PPLIN-UERJ. Integra o grupo Estudos do Gótico (UERJ) e desenvolve pesquisa no projeto Literatura Gótica Brasileira. Interessa-se em investigar as manifestações do gótico literário, sobretudo da tradição inglesa, bem como seus desdobramentos e adaptações na produção ficcional brasileira. 

Fernando de Barros Monteiro Junior, UERJ

Doutor em Letras (Letras Vernáculas - Literatura Brasileira) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professor Associado de Literatura Brasileira da Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), campus de São Gonçalo, onde atua no Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística (PPLIN). Desenvolve os projetos de pesquisa Literatura Gótica Brasileira, O Decadentismo na Poesia Brasileira 1880-1920, e Modernismos Crepusculares, dentro da linha de pesquisa Literatura, Teoria e História. Integra o GT Vertentes do Insólito Ficcional (ANPOLL). É membro pesquisador dos grupos (CNPq) Estudos do Gótico (UERJ), Poéticas da Diversidade (UERJ) e LABELLE - Laboratório de estudos de literatura e cultura da Belle Époque (UERJ). É também membro do grupo de pesquisa Periódicos e Literatura, da Fundação Biblioteca Nacional (FBN). 

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Publicado

2020-12-23

Como Citar

Gomes, L. R. B., & Monteiro Junior, F. de B. (2020). A clausura feminina em A corda de prata, de Lúcio Cardoso, e Mathilda, de Mary Shelley. Revista Do Sell, 9(2), 355–368. https://doi.org/10.18554/rs.v9i2.4110