Caracterização da dor lombar em praticantes de corrida de rua de Curitiba e região metropolitana
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: A corrida de rua é um esporte amplamente democrático e vem se tornando cada vez mais popular. As pessoas praticantes de corrida de rua podem ser suscetíveis a lesões musculoesqueléticas, como por exemplo a dor lombar (DL). Porém ainda não existem muitos estudos verificando quais são as características dessa sintomatologia para que se possa estabelecer programas de prevenção e tratamento. OBJETIVOS: Caracterizar a dor lombar em praticantes de corrida de rua de Curitiba e região metropolitana. MÉTODOS: Estudo do tipo observacional transversal previamente aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da UFPR (CAEE: 98134918.0.0000.0102). Foram selecionados corredores que residem em Curitiba ou região metropolitana de ambos os sexos, com 18-60 anos, que responderam a um questionário aplicado online, com perguntas relacionadas à altura, gênero, se o corredor teve episódios de dor lombar no último ano, qual o maior nível de dor que ele sentiu no seu último episódio de dor lombar, a localização da dor lombar, se irradia para os membros inferiores, se ele precisou parar de correr ou mudar algo no treinamento, qual atividade reduz a dor lombar, qual a distância e a frequência semanal que ele corre, se ele acha que a corrida causa a dor lombar, se os episódios de dor coincidem com períodos de treinos intensos, corridas e períodos de estresse. RESULTADOS: Responderam ao questionário 305 corredores sendo 133 do sexo masculino (43%) e 172 do sexo feminino (57%), com a faixa etária de 38,44±11,67 anos, média de altura 1,68±9,08 Metros, peso médio de 71,50±12,77kg. Cerca de 206 apresentaram dor lombar (67,5%), dentro destes, 113 (55,9%) apresentaram dor lombar durante 1-3 dias, 128 (62,4%) não apresentaram irradiação, 87 (43%) responderam que deitar é a posição principal que reduz a DL, 94 (45,9%) que se intensifica em períodos de estresse no trabalho e 179 (87,3%) que não é influenciada com alterações climáticas. Com relação a prática da corrida, 99 (32,4%) correm de 10-20km, 118 (38,6%) corre três vezes na semana, com relação a prática esportiva e a dor, 106 (51,7%) relataram que não acham que a corrida é a causadora da sua DL e 122 (59,5%) que a DL não coincide com a sua prática. Sobre a interrupção da pratica da corrida por causa da DL, os resultados são inconclusivos pois metade da amostra não parou de correr e outra metade parou ou teve que reduzir ou modificar algo em sua corrida. CONCLUSÕES: Verifica-se que apesar da grande prevalência da DL em praticantes de corrida de rua, a prática desse esporte pode ter pouca influência nessa sintomatologia, sendo importante uma maior investigação sobre as reais causas da DL. IMPLICAÇÕES: Traçar o perfil de corredores com dor lombar para que os profissionais fisioterapeutas possam estabelecer estratégias adequadas para prevenção e tratamento dessa sintomatologia.