Ventosaterapia na região cervical: pressões e efeitos adversos
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: Destacada pela abrangência de sua aplicação na atualidade, a terapia com ventosas é alvo de grande notoriedade nos dias atuais, sendo implementada, sobretudo, com a finalidade de diminuir a intensidade das dores musculoesqueléticas a curto termo. No entanto, os efeitos adversos (EA) são pouco relatados na literatura e carecem de estudos metodologicamente robustos que abordem sua caracterização, segurança e efetividade. OBJETIVOS: O objetivo deste estudo foi registrar efeitos adversos relatados por indivíduos após ventosaterapia seca sob diferentes pressões na região cervical. MÉTODOS: Trata-se de um estudo prospectivo randomizado com participantes e avaliadores cegos. Métricas de dor e efeitos adversos (qualitativos e quantitativos) foram analisadas; coletadas por meio da Escala Numérica de Dor (END) e Questionário padronizado para relato dos Efeitos Adversos. Participantes foram randomizados em dois grupos submetidos à ventosaterapia seca com diferentes pressões: -150 e -300 milímetros de mercúrio (mmHg), ambas na região cervical, durante 5 minutos. Neste estudo, a pressão utilizada foi aferida objetivamente por meio de vacuometria na conexão entre a pistola e a ventosa. Avaliações foram realizadas antes da aplicação, durante, imediatamente após, após 24 horas e após 72 horas. O estudo segue a Resolução nº 466/2012 e as normas do Comitê de Ética em Pesquisa; CAAE: 70730023.3.0000.0121. RESULTADOS: Ao final, 30 participantes completaram todas as etapas. No que se refere à dor, o grupo -300mmHg mostrou diminuição significativa na END entre início e acompanhamentos de 24 e 72 horas, ao contrário do grupo -150mmHg. Ambos os grupos sentiram dor local durante a aplicação das ventosas. Sensações como "fisgadas" e dor irradiada também foram relatadas por ambos os grupos. Após a aplicação, hematomas foram notavelmente presentes no grupo -300mmHg; calor e ardência aumentaram. Após 24 horas, hematomas persistiram no grupo -300mmHg, e sintomas de dor de cabeça foram relatados em ambos os grupos. Após 72 horas, os efeitos adversos permaneceram principalmente no grupo -300mmHg (hematoma e/ou dor). CONCLUSÕES: Maiores níveis de pressão podem estar associados à redução da intensidade da dor no curto prazo, mas também a uma maior e mais prolongada ocorrência de efeitos adversos. Novos estudos são necessários. IMPLICAÇÕES: Por meio deste estudo, conclui-se que a falta de padronização dos parâmetros na ventosaterapia constitui uma grande lacuna de segurança na técnica. Além disso, pode-se observar que a ventosaterapia é frequentemente acompanhada de alguns efeitos adversos intrínsecos. Por fim, os efeitos adversos tornam-se mais intensos e frequentes à medida que a pressão aplicada na técnica é aumentada.