Terapia por fotobiomodulação amplia os efeitos de um programa multimodal para dor cervical crônica inespecífica? Um ensaio clínico randomizado
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: A primeira linha de intervenção para a dor cervical crônica inespecífica (DCCI) baseia-se em exercícios terapêuticos e terapia manual, com o objetivo de promover a estabilização cervical, fundamentando um Programa Multimodal de Intervenção Terapêutica (PMIT). Entretanto, há incerteza quanto aos efeitos da inclusão da terapia por fotobiomodulação (TFBM). OBJETIVOS: Avaliar os efeitos da inclusão da TFBM em um PMIT na funcionalidade, na intensidade da dor, na catastrofização e na autoeficácia em relação à dor em indivíduos com DCCI. MÉTODOS: Ensaio clínico randomizado, controlado e duplo-cego, aprovado pelo comitê de ética (CAAE nº 58616022.1.0000.5511). Um total de 62 participantes foi randomizado em dois grupos: PMIT (n=31) e PMIT + FTBM (n=31). Grupo PMIT, terapia manual, exercícios ativos e resistidos com estabilização cervical, exercícios neuromusculares e de mobilidade, durante 8 semanas (2 sessões/semana), divididas em dois blocos de 4 semanas. O grupo PMIT + FTBM seguiu o mesmo protocolo do PMIT, com a adição da aplicação de laser infravermelho (808 nm, 10 W/cm², 7 J/ponto) em 12 pontos cervicais antes do início das sessões. O desfecho primário foi a incapacidade funcional, avaliada pelo Neck Disability Index (NDI). Os desfechos secundários incluíram a intensidade da dor em repouso e após a movimentação ativa da cervical, medida pela Escala Numérica da Dor (END); catastrofização e cinesiofobia, avaliadas pela Escala de Pensamentos Catastróficos sobre a Dor (EPCD) e pela Escala Tampa de Cinesiofobia (ETC); funcionalidade e incapacidade, analisadas pelo World Health Organization Disability Assessment Schedule (WHODAS) e pela Copenhagen Neck Functional Disability Scale (CNFDS). As avaliações foram realizadas no antes das intervenções (baseline), após as intervenções (8 semanas) e no follow-up (1 mês após a última sessão). A normalidade dos dados foi testada por histogramas e expressa em média e desvio padrão. Diferenças entre grupos e tempos foram analisadas por modelos lineares mistos (IC 95%), p<0.05. RESULTADOS: O grupo PMIT apresentou diferenças estatisticamente significativas na melhora da funcionalidade (DM = 4,06; IC 95%: 2,83 a 5,28) no pós-intervenção e (DM = 3,23; IC 95%: 1,97 a 4,48) no follow-up (1 mês). Além disso, houve melhora na intensidade da dor em repouso (END-r) (DM = 0,54; IC 95%: 0,14 a 0,95) no pós-intervenção e (DM = 0,79; IC 95%: 0,37 a 1,21) no follow-up (1 mês), quando comparado ao grupo PMIT + FTBM. Nos desfechos, catastrofização da dor (EPCD), cinesiofobia (ETC), funcionalidade cervical (CNFDS) e funcionalidade (WHODAS), não foram observadas diferenças significativas entre os grupos no pós-intervenção e no follow-up (1 mês). CONCLUSÕES: A inclusão da TFBM em um PMIT não promove resultados superiores na funcionalidade, na intensidade da dor, na catastrofização e na autoeficácia em relação à dor em indivíduos com DCCI, tanto após 8 semanas de intervenção quanto 1 mês após o término da terapia. IMPLICAÇÕES: O PMIT, composto por terapia manual, exercícios ativos, assistidos, resistidos e de estabilização cervical, deve ser considerado a primeira linha de abordagem na reabilitação da DCCI. A adição da terapia fotobiomoduladora (TFBM) com laser infravermelho (808 nm) não parece proporcionar benefícios adicionais significativos nesse contexto.