CONFIABILIDADE INTRA-AVALIADOR NO TESTE DE 1 REPETIÇÃO MÁXIMA E FORÇA ISOMÉTRICA MÁXIMA COM DINAMÔMETRO DIGITAL PORTÁTIL - ESTUDO PILOTO
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: O treinamento resistido consiste na aplicação de uma força externa contra a qual os grupos musculares devem atuar, sendo a intensidade e a carga variáveis fundamentais para a prescrição do exercício. Para definir, um dos testes amplamente utilizado é o de uma repetição máxima (1RM), que corresponde à maior carga que um indivíduo consegue levantar corretamente em uma única vez. No entanto, a aplicação desse teste demanda um tempo significativo devido aos períodos de descanso necessários. Como alternativa, a dinamometria digital portátil tem se destacado como uma ferramenta eficaz, especialmente em clínicas de reabilitação e treinamento físico, por sua praticidade, agilidade e portabilidade. Apesar de ser amplamente utilizada para medir a força isométrica máxima, ainda não há evidências suficientes de que seus resultados possam substituir diretamente o teste de 1RM na definição do percentual de carga de treinamento. OBJETIVOS: Estimar a confiabilidade intra avaliador da avaliação de força muscular para os testes de 1RM e de força isométrica máxima com o dinamômetro digital portátil no bíceps braquial do membro direito. MÉTODOS: Este estudo de confiabilidade seguiu as diretrizes do protocolo COSMIN. A amostra foi composta por 12 indivíduos de ambos os sexos, com idade média de 20 (1,15) anos. O protocolo consistiu em três sessões distintas: a primeira foi dedicada à familiarização dos participantes com os procedimentos e equipamentos, enquanto as duas subsequentes foram destinadas à realização dos testes de força. Para garantir o cegamento dos avaliadores, a randomização foi definida na primeira sessão por meio de envelopes lacrados. Antes dos testes, os participantes realizaram um aquecimento específico voltado para o músculo bíceps braquial, respeitando os tempos de descanso estabelecidos no protocolo. A análise da confiabilidade intra avaliador foi conduzida por meio do coeficiente de correlação intraclasse (CCI) (3,1), acompanhado do intervalo de confiança de 95% (IC 95%). O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Santa Catarina (CEPSH UFSC), sob o número de protocolo 64708522.1.0000.0121, assegurando a conformidade com as diretrizes éticas para pesquisas envolvendo seres humanos. RESULTADOS: O CCI da dinamometria foi 0,842 (IC 95%: [0,55; 0,95]), do 1RM, 0,953 (IC 95%: [0,85; 0,99]). Entre a dinamometria e o 1RM, o CCI foi 0,487 (IC 95%: [-0,11; 0,84]). CONCLUSÕES: O teste de dinamometria demonstrou boa confiabilidade, enquanto o 1RM apresentou excelente confiabilidade para o mesmo avaliador. Contudo, a comparação entre 1RM e dinamometria revelou confiabilidade moderada, com IC indicando ausência de evidência estatisticamente significativa, impossibilitando afirmar a existência de correlação significativa entre os testes. Estudos futuros envolvendo condições clínicas podem considerar os resultados deste estudo aplicando uma das técnicas por um mesmo avaliador. IMPLICAÇÕES: A confirmação da boa confiabilidade no teste de dinamometria digital portátil e da excelente confiabilidade no teste de 1RM sugere que um mesmo avaliador pode aplicá-los de forma consistente em dias distintos. No entanto, a baixa correlação entre os testes demonstra que a dinamometria não permite estimar o valor de 1RM do indivíduo.