Investigação sobre viés implícito em relação a curvar a coluna e levantar objetos
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: Estudos anteriores em em país de alta renda demonstraram que pessoas com e sem dor lombar (DL) têm um viés implícito de que curvar-se e levantar objetos com a coluna flexionada é perigoso. Esses estudos apresentam duas limitações principais: o uso de um único grupo por estudo e a ausência de avaliação de pessoas que se recuperaram da dor. OBJETIVOS: Avaliar os vieses implícitos entre postura da coluna e segurança relacionada a curvar a coluna e levantar objetos em indivíduos sem dor DL, com histórico de DL ou com DL atual em um país de média renda, e explorar correlações entre medidas implícitas e explícitas dentro dos grupos. MÉTODOS: Estudo transversal exploratório incluindo 174 participantes (63 sem dor, 57 com histórico de DL e 54 com DL atual). Os vieses implícitos entre postura da coluna e segurança relacionada a curvar-se e levantar objetos foram avaliados com o “Implicit Association Test” (IAT). Os participantes responderam a questionários em papel (“Bending Safety Belief” [BSB]) e online (“Tampa Scale of Kinesiophobia”; “Back Pain Attitudes Questionnaire”). Projeto aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Brasil, número de aprovação 3.458.845/CAEE 03952718.0.0000.5345 . RESULTADOS: Participantes apresentaram viés implícito significativo entre imagens de levantar objetos com a coluna curvada e palavras representando "perigo" (IATD-SCORE: Grupo sem dor: 0,56 (IIQ=0,31–0,91; IC 95% [0,47; 0,68]); grupo com histórico de DL: 0,57 (IIQ=0,34–0,84; IC 95% [0,47; 0,67]); grupo com DL atual: 0,56 (IIQ=0,24–0,80; IC 95% [0,39; 0,64])). Medidas explícitas revelaram que os participantes têm crenças prejudiciais sobre a coluna, considerando abaixar-se com a coluna curvada e levantar objetos como perigosas (“BSBthermometer”: Grupo sem dor: 8 (IIQ=7–10; IC 95% [7,5; 8,5]); grupo com histórico de DL: 8 (IIQ=7–10; IC 95% [7,5; 9,0]); grupo com DL atual: 8,5 (IIQ=6,75–10; [7,5; 9,0])). Não houve correlação entre medidas implícitas e explícitas dentro dos grupos. CONCLUSÕES: Em um país de média renda, pessoas com e sem DL, incluindo aquelas que se recuperaram da DL, têm um viés implícito de que curvar-se e levantar objetos com a coluna curvada é perigoso. Futuros estudos poderiam focar nem intervenções para modificação de crenças negativas sobre DL. IMPLICAÇÕES: Nossos resultados mostram que o que as pessoas dizem (“pensamento deliberado”) nem sempre corresponde ao que elas realmente pensam (“vieses implícitos”). Isso sugere que, para alcançar uma mudança duradoura e profunda em crenças e atitudes, a educação do paciente não deve ser apenas cognitiva, mas comportamental. Por exemplo: 1. Exposição gradual a atividades temidas e evitadas, a fim de trazer à tona os vieses implícitos, criando uma oportunidade para abordar concepções equivocadas sobre a DL; 2. Ferramentas de aprendizagem interativas, como um “quiz” de comunicação que exige que os pacientes façam uma escolha e reflitam sobre a resposta (ferramentas online e em diferentes idiomas para ampliar o alcance). Dadas as semelhanças com estudos anteriores, um esforço global para mudar crenças sobre a coluna e a dor é necessário.