Efeitos adversos agudos relacionados ao treinamento de restrição de fluxo sanguíneos em membros superiores: Um estudo piloto
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: O Treinamento com Restrição de Fluxo Sanguíneo (TRFS) combina exercícios de baixa carga com oclusão vascular parcial, promovendo ganhos similares ao treinamento de força convencional, como aumento de força, hipertrofia e resistência muscular. Esse método de treinamento, torna-se significativamente vantajoso na reabilitação musculoesquelética, no que tange às intervenções pós-cirúrgicas na reconstrução do ligamento cruzado anterior e em tendinopatias relacionadas a membros superiores, onde cargas elevadas em abordagens iniciais do tratamento são contraindicadas. O TRFS minimiza o estresse articular enquanto estimula recuperação funcional. No entanto, embora com benefícios consolidados na literatura, a identificação dos possíveis efeitos adversos ainda demanda investigação, visando garantir sua segurança e efetividade na prática clínica. OBJETIVOS: Investigar os efeitos adversos associados ao treinamento com restrição de fluxo sanguíneo no bíceps braquial em homens treinados. MÉTODOS: Estudo piloto realizado em homens, entre 18 a 30 anos, com prática mínima de um ano de treinamento de força convencional. Foram excluídos do estudo, pessoas com hipertensão arterial, arritmia cardíaca, diabetes mellitus e doença renal crônica, além de histórico de uso de anabolizantes. Os voluntários do estudo participaram de um protocolo de treinamento resistido para ganho de força muscular de bíceps braquial, associado a restrição de fluxo sanguíneo. A intensidade do treinamento foi definida com base no teste de uma repetição máxima (1RM). A carga prescrita corresponde a 20% do 1RM, valor consistente adotado na literatura nas abordagens de TRFS. O treinamento foi realizado durante quatro semanas, com duas sessões por semana, em um intervalo mínimo de 48 horas entre cada. Os efeitos adversos agudos referidos por participantes a cada sessão de treinamento foram registrados em formulários. A aplicação da técnica foi realizada no lado dominante dos participantes. Este projeto foi aprovado pelo o Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Santa Catarina - CEP-UFSC com número 70074021.3.0000.0121. RESULTADOS: Dos onze voluntários, um participante não completou as 4 semanas pretendidas. Foram concluídas um total de oitenta e uma sessões de treinamento. Os efeitos colaterais relatados durante o TRFS foram: fadiga muscular no membro ocluído (45,68%), parestesia no membro superior (32,10%), dor na região bicipital ou inibição muscular por aperto do esfigmomanômetro (9,88%), síncope (1,23%). CONCLUSÕES: O presente estudo evidencia que o TRFS, apesar dos seus benefícios, pode apresentar efeitos adversos agudos aos participantes em extremidades superiores, com destaque para a fadiga muscular, parestesia e dor na região bicipital. IMPLICAÇÕES: O conhecimento dos efeitos adversos do TRFS é essencial para sua aplicação segura e eficaz, garantindo melhores desfechos clínicos e reduzindo potenciais riscos da técnica.