Impacto do Ciclo Menstrual no Desempenho de Corredoras do Sexo Feminino: Revisão Sistemática

Autores

  • VINÍCIUS THIEL LAUTENSCHLÄGER UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS (UFPEL)
  • FRANCISCO XAVIER DE ARAÚJO UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS (UFPEL)
  • VIVIAN PEIXOTO GONÇALVES UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS (UFPEL)

Resumo

CONTEXTUALIZAÇÃO: O ciclo menstrual (CM) envolve oscilações hormonais que podem influenciar o desempenho físico. Diante do crescente número de novas praticantes de corrida e da necessidade de compreender os efeitos dessas variações hormonais, torna-se fundamental entender como as variações hormonais do CM podem impactar o desempenho das atletas, considerando tanto os efeitos fisiológicos quanto as potenciais implicações para a otimização do treinamento e a prevenção de lesões. OBJETIVOS: Revisar sistematicamente sobre o impacto das variações hormonais do CM sobre o desempenho de corredoras, considerando parâmetros como consumo máximo de oxigênio (VO2máx), frequência cardíaca (FC), ventilação minuto (VE), economia de corrida (EC), concentração de lactato e percepção de esforço. Investigar se tais flutuações justificam alterações ou adaptações treinamento de acordo com a fase do ciclo, em corredoras de diferentes níveis de corrida. MÉTODOS: Realizou-se uma revisão sistemática, registrada previamente no PROSPERO (CRD42024619148), em dezembro de 2024 com busca abrangente nas bases de dados MEDLINE, SCIELO, EMBASE, CINAHL e Web of Science, sem restrição de idioma ou ano. Foram incluídos estudos observacionais envolvendo mulheres eumenorreicas submetidas a protocolos de avaliação do desempenho físico em diferentes fases do ciclo menstrual.  RESULTADOS: Dos 2350 registros identificados, 12 estudos atenderam aos critérios de inclusão, totalizando 129 atletas que englobaram amostras que variaram desde corredoras amadoras até atletas de elite, com idades médias entre 17 e 37,1. A determinação das fases do ciclo foi heterogênea entre os estudos, e os desfechos avaliados incluíram variáveis fisiológicas e de desempenho na corrida.  Para o desfecho desempenho global, três estudos não encontraram diferenças significativas, dois reportaram melhora na fase lútea e quatro indicaram piora nessa fase. Para a FC, sete estudos analisaram a variável, dos quais seis não observaram diferenças. Para a VE, dois estudos encontraram aumento na fase lútea, dois não identificaram diferenças e um reportou valores menores na fase lútea. Para a EC, um estudo observou melhora na fase lútea, dois indicaram piora e dois não constataram alterações. Quanto à percepção de esforço, quatro estudos avaliaram e constataram ausência de diferenças, e para a concentração de lactato pós-exercício, um estudo relatou resposta maior na fase folicular tardia, um encontrou menores concentrações nas fases pós-menstrual e pós-ovulatória, enquanto três estudos não observaram diferenças. CONCLUSÕES: Esta revisão sistemática mostrou que os efeitos do ciclo menstrual sobre variáveis fisiológicas e de desempenho em corredoras permanecem incertos. O VO2máx, FC e a EPE não apresentam diferenças significativas entre as fases, embora a VE, EC e a concentração de lactato possam ser influenciadas pelas flutuações hormonais. Assim, atletas amadoras teriam poucos benefícios em periodizar o treinamento segundo o ciclo menstrual, exigindo-se mais estudos com metodologias padronizadas e amostras maiores. IMPLICAÇÕES: Na fisioterapia, esses resultados indicam a importância de individualizar o treinamento e reabilitação, porém, mudanças radicais podem não ser necessárias, pois diversos fatores apontam para uma relativa estabilidade ao longo das fases.

Publicado

2025-08-31

Como Citar

Impacto do Ciclo Menstrual no Desempenho de Corredoras do Sexo Feminino: Revisão Sistemática. (2025). Anais Do Congresso Brasileiro Da Associação Brasileira De Fisioterapia Traumato-Ortopédica - ABRAFITO, 5(1). https://seer.uftm.edu.br/anaisuftm/index.php/abrafito/article/view/2585