Cinesiofobia em atletas lesionados: relação com perfil físico e rotina de treinos em programa de fisioterapia esportiva
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: Lesões esportivas comprometem o desempenho físico e o bem-estar psicológico dos atletas (Weiß et al., 2024). A cinesiofobia, comum nesse cenário, pode atrasar a reabilitação e dificultar o retorno ao esporte (Hsu et al., 2016). Ainda são escassos os estudos que exploram sua associação com características físicas e rotinas de treino de atletas que buscam atendimento fisioterapêutico, o que limita intervenções mais direcionadas e eficazes nesse contexto clínico. OBJETIVOS: Investigar o perfil cinesiofóbico de atletas atendidos em um programa de fisioterapia esportiva e analisar sua relação com características físicas (idade, sexo, tempo de prática) e rotina de treinos (frequência semanal e duração diária). MÉTODOS: Estudo transversal, descritivo e analítico, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade do Estado de Santa Catarina (CAAE: 78712924.0.0000.0118), baseado na análise de 80 prontuários de atletas avaliados em um Programa de Fisioterapia Esportiva. Foram coletados dados sobre idade, sexo, modalidade esportiva, tempo de prática, frequência semanal e tempo diário de treino, além dos escores da Escala Tampa de Cinesiofobia no início do tratamento. As variáveis foram analisadas por estatística descritiva, testes de correlação de Pearson e Spearman, com nível de significância de 5%. RESULTADOS: Foram analisados 67 prontuários de atletas (após a exclusão de 13 por critérios de elegibilidade), com idade média de 24,2 ± 6,8 anos. A maioria era do sexo masculino (67,2%) e apresentava tempo médio de prática de 6,4 ± 5,2 anos, frequência semanal de 5,3 ± 1,8 dias e duração média diária de treino de 119 ± 41 minutos. A pontuação média na Escala Tampa de Cinesiofobia foi de 37,8 ± 5,8, indicando um nível moderado/alto de cinesiofobia. Mais de 60% das modalidades apresentaram praticantes com escore >37. Não foram encontradas associações significativas entre a cinesiofobia e idade (p = 0,93), sexo (p = 0,14), tempo de prática (p = 0,17), frequência semanal (p = 0,84) ou duração dos treinos (p = 0,85). Modalidades com contato físico apresentaram maior frequência de atletas com escores elevados na Escala Tampa de Cinesiofobia (p = 0,01). CONCLUSÕES: Atletas atendidos no programa apresentaram altos níveis de cinesiofobia, independentemente da modalidade esportiva, idade ou rotina de treinos. A ausência de correlações sugere que a cinesiofobia pode estar mais relacionada a aspectos biopsicossociais e experiências individuais do que a fatores físicos ou relacionados ao treinamento. IMPLICAÇÕES: A avaliação da cinesiofobia deve ser incorporada à prática clínica em reabilitação esportiva, atuando como um marcador prognóstico para o retorno ao esporte. Estratégias que abordem crenças disfuncionais sobre dor e movimento podem ser essenciais para uma reabilitação mais eficaz. Estudos futuros devem investigar intervenções específicas e o impacto longitudinal da cinesiofobia nas diferentes fases do processo de reabilitação esportiva.