Lesões em kartistas amadores: prevalência, tipo e busca por atendimento fisioterapêutico
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: O kartismo é amplamente reconhecido como porta de entrada para o automobilismo (Salvi, 2014), sendo praticado por milhares de brasileiros em caráter amador. Apesar de sua popularidade, os praticantes estão expostos a altas desacelerações, impactos diretos e à ausência de equipamentos de proteção mais sofisticados, o que aumenta o risco de lesões (Yilmaz et al., 2012). Entretanto, são escassos os estudos sobre a prevalência e as características dessas lesões em kartistas amadores, o que dificulta a implementação de estratégias preventivas e terapêuticas direcionadas a essa população. OBJETIVOS: Investigar a prevalência e os tipos de lesões em kartistas amadores brasileiros, bem como a frequência com que esses praticantes buscam atendimento fisioterapêutico após lesões relacionadas à prática do kart. MÉTODOS: Estudo transversal, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade do Estado de Santa Catarina (CAAE: 42853720.0.0000.0118), realizado com kartistas amadores do Sul do Brasil, com idades entre 18 e 65 anos. Os dados foram coletados por meio de um questionário online autoaplicável, contendo questões sociodemográficas, frequência de prática, histórico de lesões e busca por atendimento fisioterapêutico. Foram realizadas análises descritivas e testes do qui-quadrado para investigar possíveis associações entre idade, número de corridas, tipo de lesão e busca por atendimento fisioterapêutico (p < 0,05). RESULTADOS: A amostra foi composta por 21 kartistas, majoritariamente do sexo masculino (95,2%), com média de idade de 34,8 ± 12,3 anos. A maioria dos participantes (55,4%) relatou realizar de 10 a 12 corridas por ano. Lesões nos últimos 12 meses foram reportadas por 90,5% dos participantes, sendo o trauma direto o tipo mais comum (52%). Cerca de 42,9% relataram afastamento da prática por pelo menos 48 horas. Apenas 33% buscaram atendimento fisioterapêutico, sendo que a maioria relatou melhora parcial ou total após o tratamento. Não foram encontradas associações estatisticamente significativas entre idade, número de corridas ou tipo de lesão e a busca por atendimento fisioterapêutico. CONCLUSÕES: Lesões são altamente prevalentes entre kartistas amadores, com destaque para traumas diretos. Apesar da elevada frequência de lesões, a busca por atendimento fisioterapêutico ainda é baixa. Esses dados sugerem a necessidade de maior conscientização quanto aos riscos associados à prática do kart e à importância da reabilitação adequada. Protocolos específicos de prevenção e manejo fisioterapêutico voltados a essa população devem ser desenvolvidos. IMPLICAÇÕES: Este estudo contribui para a caracterização epidemiológica de lesões em esportes a motor praticados de forma amadora, evidenciando um público que frequentemente negligencia o cuidado fisioterapêutico. Os achados podem subsidiar ações de educação em saúde, estratégias preventivas e políticas de promoção da saúde no esporte amador.