Correlação entre comorbidades e uso de medicamentos em pacientes com osteoartrite de joelho avaliados pelo LAPIC-UFC
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: A osteoartrite de joelho (OAJ) é uma doença crônica caracterizada pelo desgaste progressivo da cartilagem articular, causando dor, rigidez e limitação funcional, mais comum em idosos. O envelhecimento está associado a alterações musculoesqueléticas que favorecem o desenvolvimento da OAJ. Comorbidades como obesidade, diabetes mellitus (DM) e hipertensão arterial sistêmica (HAS) podem acelerar a progressão da doença e reduzir a qualidade de vida. No manejo da OAJ, utilizam-se analgésicos, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e condroprotetores para alívio da dor e preservação articular. Além disso, o controle das comorbidades é essencial para garantir a estabilidade clínica do paciente e evitar complicações que comprometam a funcionalidade articular. OBJETIVOS: Avaliar a associação entre o uso de medicamentos e a presença de comorbidades em indivíduos com OAJ atendidos pelo Laboratório de Pilates Clínico (LAPIC) da Universidade Federal do Ceará, além de caracterizar o perfil dos pacientes avaliados. MÉTODOS: Estudo transversal em que foram avaliados 38 pacientes, com idade 50 a 80 anos, diagnosticados com OAJ de junho a dezembro de 2024. Participantes advindos de projeto aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da mesma instituição nº: 6.762.005. Os dados foram coletados por meio da anamnese, para as comorbidades de obesidade, dislipidemia, HAS e DM e para a coleta do uso de medicamentos e dose dos medicamentos prescritos e não prescritos. Os medicamentos foram divididos em grupos conforme a classificação ATC/DDD, Sistema de Classificação Anatômico-Terapêutico-Químico que organiza os medicamentos em diferentes grupos com base no órgão ou sistema em que atuam, e alocados em cinco grandes categorias. O primeiro grupo inclui medicamentos para doenças metabólicas e endócrinas, englobando A10, A12, C10 e L02. O segundo grupo corresponde aos medicamentos cardiovasculares, englobando C02, C03, C05 e B01. O terceiro grupo refere-se aos medicamentos para o sistema nervoso, incluindo N03, N05, N06 e N07. O quarto grupo abrange medicamentos musculoesqueléticos e anti-inflamatórios, contemplando M01 e M09. Por fim, o quinto grupo é composto por medicamentos para alergias e inflamações, incluindo R06. Foi realizada uma matriz de correlação de Spearman entre os cinco grupos, idade, IMC e número de comorbidade. RESULTADOS: A maioria dos pacientes eram do sexo feminino (n=29), com idade (média ±DP) de 63,3±7,68 anos e com IMC 29,8±4.59. Da amostra, 42,1% (16) apresentaram algum nível de obesidade, 60,5% (23) HAS, 28,9% (11) dislipidemia e apenas 13,2% (5) DM. Houve correlações entre o número de comorbidades e IMC (p < 0,001; rho = 0,523) e uso de medicamentos cardiovasculares (p < 0,001; rho = 0,554), IMC e uso de medicamentos cardiovasculares (p = 0,028; rho = 0,362) e uso de medicamentos musculoesqueléticos e anti-inflamatórios (p = 0,026; rho = 0,36). CONCLUSÕES: O estudo evidenciou uma relação significativa entre o número de comorbidades, o IMC e o uso de medicamentos cardiovasculares e musculoesqueléticos em pacientes com OAJ. IMPLICAÇÕES: Esses achados ressaltam a importância do manejo integrado da doença, considerando não apenas a terapia medicamentosa, mas também o controle das condições de saúde associadas.