MECANISMOS DA RELAÇÃO SONO-DOR EM PACIENTES COM DOR CRÔNICA

Autores

  • BEATRIZ ALANO FREITAS JUVENCIO UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)
  • JOÃO PEDRO CONCEIÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)
  • LAURA APPEL BEVILAQUA UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA (UNISUL)
  • HELOYSE ULIAM KURIKI UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)
  • ALEXANDRE MARCIO MARCOLINO UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)
  • RAFAEL INACIO BARBOSA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)

Resumo

CONTEXTUALIZAÇÃO: Privação de sono é um fator de risco para o desenvolvimento de dor crônica. A interação entre a privação do sono e a dor é bidirecional, criando um ciclo em que dormir menos reduz os limiares de dor, e o aumento da dor dificulta o sono, agravando ainda mais o quadro. Essas alterações promovem um estado de hiperalgesia, no qual estímulos dolorosos são percebidos com maior intensidade, podendo contribuir para a cronificação. Estudos recentes têm se dedicado em identificar as alterações cerebrais associadas a essa interação, mas ainda existem lacunas no entendimento de como os mecanismos neuroquímicos contribuem para a amplificação da dor em situações de privação de sono, não sendo totalmente compreendidos. OBJETIVOS: Investigar os mecanismos pelos quais a privação de sono pode afetar a experiência de dor em pacientes com dor crônica. MÉTODOS: Os dados foram coletados nas bases de dados da PubMed MEDLINE, Web of Science e PEDro, usando a seguinte estratégia de busca: (sleep deprivation OR sleep deficiency) AND (chronic pain) AND (mechanism OR "central sensitization" OR neuroinflammation OR "pain modulation"). Foram definidos como critérios de inclusão: artigos de mecanismo publicados em inglês e português entre 2019 e 2025 realizados em humanos. Foram encontradas 120 pesquisas das quais foram selecionadas 5 para leitura na íntegra. RESULTADOS: A privação de sono parece inibir sistemas e mediadores predominantemente analgésicos, ao mesmo tempo em que ativa mecanismos que reduzem o limiar da dor. Neuroquímicos como cortisol, noradrenalina, melatonina e dopamina participam da regulação do ciclo circadiano e influenciam a percepção da dor. Além disso, sistemas como o gabaérgico, orexinérgico, adenosinérgico e monoaminérgico também desempenham papéis importantes nessa interação entre sono e dor. CONCLUSÕES: As evidências sobre os mecanismos neuroquímicos envolvidos na relação sono-dor ainda são fracas. A literatura mostra que a privação do sono exerce um impacto significativo na modulação da dor, desregulando sistemas neuroquímicos essenciais para o equilíbrio entre analgesia e hiperalgesia. Esses achados reforçam a importância do sono adequado não apenas para a recuperação física e mental, mas também na prevenção e manejo da dor, reforçando a necessidade de novas pesquisas que possam esclarecer os mecanismos subjacentes a essa relação. IMPLICAÇÕES: A relação entre privação de sono e dor tem implicações significativas na prática clínica, na formulação de estratégias terapêuticas e na saúde pública. Compreendendo os mecanismos, podemos promover sono de boa qualidade por meio de intervenções não farmacológicas e farmacológicas no tratamento de condições de dor crônica.  

Publicado

2025-08-31

Como Citar

MECANISMOS DA RELAÇÃO SONO-DOR EM PACIENTES COM DOR CRÔNICA. (2025). Anais Do Congresso Brasileiro Da Associação Brasileira De Fisioterapia Traumato-Ortopédica - ABRAFITO, 5(1). https://seer.uftm.edu.br/anaisuftm/index.php/abrafito/article/view/2606