FATORES BIOPSICOSSOCIAIS, TEMPO DE ESPERA PARA ATENDIMENTO FISIOTERAPÊUTICO E AFASTAMENTO PELO INSS PODEM PREVER A AUTOEFICÁCIA DA DOR CRÔNICA?
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: A autoeficácia da dor crônica parece estar associada a persistência de sintomas musculoesqueléticos influenciando como os indivíduos percebem, interpretam e respondem à experiência dolorosa. Além disso, o tempo de espera para iniciar o tratamento é um fator importante na reabilitação dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), visto que prazos longos podem aumentar a ansiedade e reduzir a participação em atividades de vida diária. OBJETIVOS: Investigar se a catastrofização da dor, da cinesiofobia, do tempo na fila de espera para atendimento fisioterapêutico e o afastamento pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) são capazes de prever a autoeficácia da dor crônica em pacientes na fila de espera para tratamento fisioterapêutico. MÉTODOS: Participaram 50 usuários (idade: 52,5 ± 17,9), sendo 56% do sexo masculino e 44% do sexo feminino que estavam a 77,7 (± 21,1) dias na fila de espera para atendimento fisioterapêutico ortopédico. A Escala de Autoeficácia da Dor Crônica, Escala de Catastrofização da Dor e a Escala Tampa de Cinesiofobia foram avaliadas. A regressão linear múltipla foi utilizada para prever se catastrofização da dor, cinesiofobia, tempo na fila de espera para atendimento fisioterapêutico e o fator estar afastado pelo INSS são capazes de prever a autoeficácia da dor crônica. O nível de significância foi p <0,05. O atual estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética Local (CAAE: 61211522.9.0000.5154). RESULTADOS: 32% dos usuários avaliados estão afastados pelo INSS. O tempo médio de afastamento foi 15,2 (± 58,9) meses. Os usuários aguardavam atendimento por condições musculoesqueléticas em: punho/mão (20%), tornozelo/pé (18%), ombro/braço (14%), quadril/coxa (14%), cotovelo/antebraço (8%), joelho/perna (8%), coluna (4%), múltiplos locais (8%) e outros (6%). As principais causas das lesões foram quedas (42%), processos degenerativos (18%) e acidentes de trânsito (16%). O tratamento foi conservador em 54% dos casos e cirúrgico em 46%. O modelo de regressão linear múltipla foi significativo [F(4,45) = 11; p < 0,001; R² = 0,45] indicando que as variáveis catastrofização da dor (Beta = -0,47; t = -3,7; p = <0,001), cinesiofobia (Beta = -0,40; t = -2,14; p = 0,04) e tempo de espera para atendimento (Beta = 0,17; t = 2,15; p = 0,04) contribuíram para autoeficácia da dor crônica, enquanto o fator afastamento pelo INSS (Beta = -6,55; t = -1,86; p = 0,07) não apresentou contribuição significativa. Os achados deste estudo sugerem que a maior pontuação no questionário de autoeficácia da dor crônica foi associada a menor pontuação de catastrofização da dor e cinesiofobia. Além disso, a maior pontuação no questionário de autoeficácia da dor crônica foi associada a maior tempo na fila de espera para tratamento fisioterapêutico em pacientes com condições musculoesqueléticas. CONCLUSÕES: Catastrofização da dor, a cinesiofobia e tempo na fila de espera influenciam a autoeficácia da dor crônica em usuários aguardando na fila de espera para tratamento fisioterapêutico ortopédico há pelo menos três meses. IMPLICAÇÕES: Os achados do estudo reforçam a importância do modelo biopsicossocial na abordagem de condições musculoesqueléticas crônicas.