Validade de Critério e Construto da Força Muscular do Joelho usando Dinamômetro Isométrico Após Reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior

Autores

  • NÍCOLAS MILHOME DE LIMA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC)
  • DAVID BRUNO BRAGA DE CASTRO UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC)
  • GABRIEL PEIXOTO LEÃO ALMEIDA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC)

Resumo

CONTEXTUALIZAÇÃO: O dinamômetro isométrico (HHD) é uma alternativa de baixo custo, portátil e de fácil uso em relação ao dinamômetro isocinético (padrão ouro) para avaliar a força muscular após a reconstrução do ligamento cruzado anterior (RLCA). No entanto, sua validade de critério e de constructo ainda precisa de maior esclarecimento. Este estudo avaliou a confiabilidade, a validade de critério em comparação com a dinamometria isocinética e a validade de construto com medidas de desfechos relatados do HHD na mensuração da força dos extensores e flexores do joelho após RLCA. OBJETIVOS: Avaliar a confiabilidade e a validade do HHD na medição da força dos extensores e flexores do joelho após RLCA. Como objetivo secundário, investigou-se a correlação entre os resultados do HHD e as medidas de desfechos autorreportadas pelos pacientes pós RLCA. MÉTODOS: Estudo prospectivo de confiabilidade e validade. A avaliação dos extensores e flexores do joelho foi realizada com o HHD a 45° de flexão do joelho e com o dinamômetro isocinético a 60°/s. Foram aplicados os questionários International Knee Documentation Committee (IKDC) e Anterior Cruciate Ligament-Return to Sport After Injury Scale (ACL-RSI). A confiabilidade inter e intra-avaliador, validade de critério e validade de construto foram analisadas por meio do coeficiente de correlação intraclasse (ICC) e correlação de Pearson. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Ceará/PROPESQ (5.248.526). RESULTADOS: O estudo incluiu cinquenta e três participantes, sendo 26 sem lesão no joelho (52 joelhos) para a fase de confiabilidade e 27 com lesão do LCA para a fase de validade. O dinamômetro isométrico demonstrou confiabilidade intra-avaliador de moderada a boa (ICC2,1 = 0,77-0,85) e confiabilidade inter-avaliador excelente (ICC2,1 = 0,94-0,95) para a força dos extensores e flexores do joelho. Foi encontrada uma correlação moderada a boa do HHD para extensores do joelho (r = 0,677; p < 0,001) e flexores (r = 0,554; p = 0,003) quando comparado ao dinamômetro isocinético. O HHD apresentou correlação fraca com IKDC para extensão e flexão do joelho (r = 0,272; p < 0,001 e r = 0,352; p < 0,001, respectivamente) e correlação fraca com ACL-RSI para extensão  (r = 0.139; p < 0,001) e flexão (r = 0.351; p < 0,001) do joelho. CONCLUSÕES: O dinamômetro isométrico a 45° de flexão do joelho é confiável e válido quando comparado ao dinamômetro isocinético para avaliar força dos extensores e flexores do joelho em pacientes após RLCA. No entanto, o HHD não demonstrou boa validade de construto em relação aos desfechos autorreportados. IMPLICAÇÕES: O HHD pode ser amplamente utilizado na prática clínica para avaliação da força dos extensores e flexores do joelho, ajudando fisioterapeutas na decisão sobre a evolução e alta de pacientes submetidos à RLCA, principalmente em contextos onde o dinamômetro isocinético não estiver disponível. Entretanto, a fraca correlação com os desfechos autorreportados indica que outros fatores devem ser considerados na avaliação funcional dos pacientes.

Publicado

2025-08-31

Como Citar

Validade de Critério e Construto da Força Muscular do Joelho usando Dinamômetro Isométrico Após Reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior. (2025). Anais Do Congresso Brasileiro Da Associação Brasileira De Fisioterapia Traumato-Ortopédica - ABRAFITO, 5(1). https://seer.uftm.edu.br/anaisuftm/index.php/abrafito/article/view/2608