Pacientes com dor crônica no ombro estão preparados para autogerenciar sua saúde? Um estudo sobre níveis de ativação
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: A dor musculoesquelética é uma condição complexa que exige intervenções além dos aspectos estruturais. No modelo biopsicossocial, a educação em saúde, mudanças no estilo de vida e o fortalecimento da autoeficácia são fundamentais. A ativação para autogestão, que envolve conhecimento, confiança e capacidade de gerenciar a própria saúde, é um elemento-chave nesse processo. Entretanto, seu papel em pacientes com dor crônica no ombro ainda é pouco explorado. OBJETIVOS: Avaliar o nível de ativação para autogestão de saúde em pacientes com dor crônica no ombro e descrever a distribuição das respostas no Patient Activation Measure (PAM-13). MÉTODOS: Estudo transversal com pacientes recrutados no Serviço de Fisioterapia do Centro de Saúde Escola Prof. Dr. Joel Domingos Machado da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo e no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Foram coletados dados sociodemográficos, clínicos e antropométricos. A ativação para autogestão de saúde foi avaliada pelo PAM-13, a autoeficácia pelo Pain Self-Efficacy Questionnaire (PSEQ), a incapacidade pelo Shoulder Pain and Disability Index (SPADI), e a intensidade de dor pela Escala Numérica de Dor (END). A análise dos dados foi conduzida por estatística descritiva, com médias, desvios padrão (DP) e frequências absolutas e relativas (CAAE: 83282924.0.0000.5440). RESULTADOS: A amostra foi composta por 27 pacientes, 74% mulheres, idade média de 53 anos (DP ±11) e tempo médio de dor de 20 meses. A dor teve média de 3 pontos na END. A ativação para autogestão de saúde apresentou média de 65,3 (DP ±13,5), distribuída entre os níveis do PAM-13: 11,1% no nível 1, 14,8% no nível 2, 37% no nível 3 e 37% no nível 4. A incapacidade foi moderada (SPADI: média de 45,0; DP ±34), e a autoeficácia alta (PSEQ: média de 46,3; DP ±15). As questões do PAM-13 mais frequentemente respondidas com "Concordo totalmente" foram: questão 1 ("No final das contas, você é a pessoa responsável por cuidar de sua saúde?", 74%), questão 2 ("A sua participação ativa no cuidado da sua saúde é a coisa mais importante que influencia sua saúde?", 70%) e questão 3 ("Você tem confiança de que pode ajudar a prevenir ou reduzir problemas ligados à sua saúde?", 70%). Em contrapartida, as questões com menor frequência dessa resposta foram: questão 9 ("Você sabe quais são os tratamentos disponíveis para seus problemas de saúde?", 18,5%) e questão 10 ("Você tem conseguido manter as mudanças no estilo de vida, como se alimentar corretamente ou fazer exercícios?", 26%). CONCLUSÕES: Pacientes com dor crônica no ombro apresentaram níveis médios de ativação para autogestão de saúde. Apesar de demonstrarem forte concordância com itens relacionados à responsabilidade pessoal no cuidado com a saúde, observou-se menor concordância com aspectos ligados ao conhecimento sobre tratamentos disponíveis e à manutenção de mudanças no estilo de vida, sugerindo alvos específicos para intervenções educativas. IMPLICAÇÕES: Os achados destacam a relevância de avaliar os níveis de ativação para autogestão de forma individualizada, a fim de direcionar estratégias educativas e de suporte focadas em fortalecer competências específicas, promovendo maior engajamento e efetividade no processo de reabilitação.