EFEITOS DA COMPRESSÃO ISQUÊMICA MANUAL E DA VENTOSATERAPIA EM MULHERES COM DOR MIOFASCIAL CERVICAL

Autores

  • BEATRIZ ALANO FREITAS JUVENCIO UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)
  • JOÃO PEDRO CONCEIÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)
  • ANA PAULA PINTO DE ARAÚJO UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)
  • DENISE DAL PONT TOMAZI UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)
  • ALEXANDRE MARCIO MARCOLINO UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)
  • HELOYSE ULIAM KURIKI UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)
  • RAFAEL INACIO BARBOSA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)

Resumo

CONTEXTUALIZAÇÃO: A dor cervical e as desordens associadas são problemas de saúde pública significativos, com alta prevalência, impacto na qualidade de vida e elevados custos sociais e econômicos. A síndrome da dor miofascial (SDM), frequentemente manifestada por pontos gatilho (PG), é uma das causas mais comuns dessas dores. O tratamento da SDM é multidisciplinar, com destaque para as terapias manuais. Dentre essas, a Compressão Isquêmica Manual (CIM) e a Ventosaterapia Seca (VS) são abordagens comumente utilizadas para alívio da dor miofascial, particularmente para o tratamento de PG. OBJETIVOS: Comparar os efeitos da Compressão Isquêmica Manual (CIM) e da Ventosaterapia Seca (VS) sobre a dor e a função em mulheres com dor miofascial cervical, especificamente em pontos gatilho ativos no músculo trapézio descendente. MÉTODOS: Este é um estudo clínico randomizado, controlado e com avaliadores cegos. A intensidade da dor e o nível de incapacidade funcional foram avaliados por meio da Escala Numérica de Dor (END) e do Índice de Incapacidade do Pescoço (NDI). A amostra foi aleatoriamente dividida em dois grupos: 6 participantes no grupo CIM e 7 no grupo VS, com idades entre 22 e 23 anos. O Grupo CIM recebeu Compressão Isquêmica Manual, com pressão aplicada pelo polegar do fisioterapeuta, enquanto o Grupo VS foi submetido à Ventosaterapia Seca, com pressão de -300 mmHg por 10 minutos. As avaliações ocorreram antes da intervenção, durante, imediatamente após e 7 dias após a aplicação. O estudo foi aprovado pelo CEPSH/UFSC (n. 70730023.3.0000.0121) e registrado no ReBEC (RBR-53qz7zn). RESULTADOS: Em relação à dor, observou-se que, houve uma redução significativa na intensidade da dor no grupo CIM, com uma média de 52% de diminuição na Escala Numérica de Dor (END) após 7 dias, em comparação com o grupo VS. O limiar de dor no grupo CIM diminuiu em média -0,365 kgf (±0,22), enquanto o grupo VS teve um aumento de 0,06 kgf (±0,3). Quanto à função, o grupo CIM mostrou uma redução significativa no NDI após 7 dias (7,28; IC 95% 2,45 a 12,10), enquanto no grupo VS não houve alterações significativas (3,54; IC 95% -1,20 a 8,18).  CONCLUSÕES: Os resultados sugerem que a Compressão Isquêmica Manual (CIM) é mais eficaz do que a Ventosaterapia Seca (VS) para a redução da dor e a melhoria da função a curto prazo em mulheres com dor miofascial cervical e pontos gatilho ativos. Mais estudos são necessários para explorar os efeitos de longo prazo e a segurança dessas abordagens terapêuticas. IMPLICAÇÕES: A CIM proporciona alívio da dor e melhoria funcional a longo prazo, embora com desconfortos iniciais associados a efeitos adversos temporários. Esta abordagem pode ser particularmente relevante para pacientes que buscam benefícios duradouros, mesmo com o desconforto transitório. Por outro lado, a VS, embora com menos efeitos adversos, não resultou em melhorias significativas no controle da dor ou na função dos pacientes, o que pode limitar sua aplicabilidade para alívio eficaz a longo prazo.

Publicado

2025-08-31

Como Citar

EFEITOS DA COMPRESSÃO ISQUÊMICA MANUAL E DA VENTOSATERAPIA EM MULHERES COM DOR MIOFASCIAL CERVICAL. (2025). Anais Do Congresso Brasileiro Da Associação Brasileira De Fisioterapia Traumato-Ortopédica - ABRAFITO, 5(1). https://seer.uftm.edu.br/anaisuftm/index.php/abrafito/article/view/2622