Prevalência de dor musculoesquelética e a associação com os perfis multidimensionais em trabalhadores de uma instituição de ensino privado
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: Os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho compreendem condições inflamatórias e degenerativas que acometem músculos, tendões, nervos e articulações, podendo resultar em dor, fadiga, desconforto e limitações funcionais, frequentemente culminando na incapacidade para a realização das atividades laborais e cotidianas. Considerando a complexidade desses agravos e sua inter-relação com os múltiplos domínios da vida dos trabalhadores, torna-se essencial analisar a prevalência de dor musculoesquelética e sua associação com os perfis multidimensionais, em contextos institucionais de ensino privado. OBJETIVOS: Analisar a prevalência da dor musculoesquelética e a associação com os perfis sociodemográfico, econômico, comportamental e condições de trabalho em funcionários de uma instituição de ensino privado. MÉTODOS: Estudo observacional transversal, de abordagem quantitativa, realizado na Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória, Espírito Santo. A amostra foi composta por 106 funcionários dos setores administrativos e serviços gerais. Foram incluídos trabalhadores com idade igual ou superior a 18 anos, com contrato formal de trabalho de pelo menos seis meses e que assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Foram excluídos os que não estavam presentes na entrevista. A coleta de dados foi realizada presencialmente, com formulário no Google Forms e incluiu um questionário de perfil sociodemográfico, econômico, comportamental e condições de trabalho, além do questionário Autoestimativa de Incapacidade Funcional por Dor (SEFIP-trabalho). A análise descritiva foi reportada por meio de frequência relativa e absoluta para variáveis qualitativas, para as quantitativas, foram usadas média, desvio padrão, mediana e intervalos interquartis e, para a associação entre as variáveis, foi aplicado o teste Qui-quadrado. O estudo foi aprovado pelo CEP 80591424000005065. RESULTADOS: Dentre os participantes avaliados, 70,8% relataram a presença de dor musculoesquelética. As regiões corporais mais acometidas foram: 68% na região inferior das costas, o joelho com 36% e a região superior das costas, 33%. Apesar da elevada prevalência de dor musculoesquelética nos trabalhadores, não foram identificadas associações estatisticamente significativas entre a presença de dor e os fatores sociodemográficos, econômicos, comportamentais ou relacionados às condições de trabalho (p > 0,05). CONCLUSÕES: O estudo identificou uma elevada prevalência de dor musculoesquelética entre os trabalhadores, especialmente na região lombar. Entretanto, não houve associação estatisticamente significativa entre a dor e os fatores sociodemográfico, econômico, comportamental e condições de trabalho, o que reforça a natureza multifatorial da dor. Esses achados destacam a importância de se considerar variáveis adicionais, como a qualidade do sono, o nível de estresse, sintomas de ansiedade e depressão na compreensão do fenômeno doloroso. Reconhecer a dor como uma experiência multidimensional, que transcende aspectos biomecânicos e laborais, é fundamental para o desenvolvimento de estratégias de prevenção e intervenção mais eficazes no contexto da saúde do trabalhador. IMPLICAÇÕES: Os resultados deste estudo evidenciam uma lacuna importante nas investigações tradicionais que focam majoritariamente em fatores ocupacionais para explicar a dor musculoesquelética em trabalhadores. A ausência de associação estatística com esses fatores indica que abordagens exclusivamente ergonômicas ou laborais podem ser insuficientes para compreender e prevenir tais dores. Assim, as implicações deste trabalho reforçam a necessidade de ampliar o olhar nas pesquisas e intervenções para essa população.Publicado
2025-09-11
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Prevalência de dor musculoesquelética e a associação com os perfis multidimensionais em trabalhadores de uma instituição de ensino privado. (2025). Anais Do Congresso Brasileiro Da Associação Brasileira De Fisioterapia Traumato-Ortopédica - ABRAFITO, 5(1). https://seer.uftm.edu.br/anaisuftm/index.php/abrafito/article/view/2629