Conhecimento dos Professores sobre as Recomendações do Currículo em Dor para os Cursos de Fisioterapia Do Brasil
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: A dor pode ser considerada um dos grandes desafios para os sistemas de saúde em todo o mundo e uma das principais razões para a busca por serviços de saúde. Os déficits no treinamento em dor dos fisioterapeutas pode ser uma das principais razões pelo manejo insuficiente de pessoas com dor. Com oo objetivo de aprimorar o treinamento em dor, a Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP), recomenda os conteúdos que devem ser abordados durante a formação do fisioterapeuta. OBJETIVOS: Analisar o conhecimento dos professores em relação aos conteúdos recomendados pela IASP para a formação de fisioterapeutas. MÉTODOS: Esta é a primeira etapa de um estudo qualitativo. Nesta etapa, foram analisados os dados pessoais, de formação e o conhecimento sobre os conteúdos recomendados para o currículo em dor para fisioterapeutas. O recrutamento dos participantes foi feito por e-mail e por divulgação orgânica em redes sociais. Os critérios de inclusão foram (i) ser fisioterapeutas, (ii) atuar como coordenador ou professor do curso de graduação em fisioterapia regularmente registrados e ativos no Brasil. Os dados foram coletados por meio de um formulário eletrônico. Os participantes deveriam responder a pergunta “Você classificaria o seu conhecimento como sendo adequado...” para cada uma das recomendações do currículo utilizando uma escala Likert de 5 pontos (discordo totalmente e concordo totalmente). Os dados foram analizados utilizando o software JASP e são apresentados por meios da estatística descritiva. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética do IFRJ (CAAE: 74145323.1.0000.5268) RESULTADOS: Foram incluídos 89 fisioterapeutas com média de idade 43 (DP=XX) anos, sendo 58,4% mulheres. Os professores eram das regiões Sudeste (n=35), Sul (n=23), Nordeste (n=19), Centro-Oeste (n=7) e Norte (n=5). Embora 69 (78%) lecionem algum conteúdo sobre dor, 64 (71,9%) não receberam treinamento específico na graduação e enquanto 13 (15%) não tiveram nenhum treinamento. O currículo da IASP era desconhecido por 37 (41,6%) professores. Os temas mais conhecidos foram comunicação de conceitos e princípios da dor (59,6% concordam e 13,5% totalmente), influência do estado cognitivo e emocional na dor (59,6% concordam e 19,1% totalmente) e prescrição de exercícios (56,2% concordam e 30,3% totalmente). Os menos conhecidos foram ferramentas de neuroimagem e regiões cerebrais envolvidas na dor (32,6% discordam), papel dos canais iônicos e neurotransmissores (27% discordam) e medidas psicofísicas e autonômicas para dor (23,6% discordam). CONCLUSÕES: Apesar de a maioria dos professores relatar abordar conteúdos relacionados à dor na graduação em Fisioterapia, muitos não receberam treinamento formal e desconhecem as diretrizes curriculares da IASP. Os achados indicam lacunas importantes na formação docente e ressaltam a necessidade de estratégias para ampliar a capacitação dos professores com base nas recomendações da IASP. IMPLICAÇÕES: Este estudo fornece evidências iniciais sobre lacunas no conhecimento de docentes sobre conteúdos essenciais para o ensino da dor em cursos de Fisioterapia, segundo as diretrizes da IASP. Os resultados podem subsidiar o desenvolvimento de ações formativas voltadas a professores e orientar a reformulação de currículos, contribuindo para uma formação mais qualificada e para o aprimoramento do cuidado a pessoas com dor.