A influência do ciclo menstrual no desempenho esportivo de mulheres praticantes de Handebol: uma série de casos
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: O ciclo menstrual é um processo biopsicossocial de grande impacto na vida das mulheres. O transporte hormonal no sangue regula funções metabólicas e afeta a reprodução feminina, influenciando inclusive o desempenho físico. A crescente presença das mulheres no esporte oferece novas oportunidades para o preparo físico, mas ainda existem poucas evidências sobre seu impacto no rendimento esportivo. Compreender como o ciclo menstrual afeta a prática esportiva possibilita otimizar o treinamento feminino, além de fomentar a produção de novas pesquisas voltadas para o assunto. OBJETIVOS: Analisar a influência do ciclo menstrual no desempenho esportivo das atletas de handebol da cidade de Torres, no Rio Grande do Sul. MÉTODOS: Trata-se de uma série de casos com três atletas de handebol que não utilizam contraceptivos hormonais, com idades entre 14 e 30 anos e sem lesões recentes nos membros inferiores. Foram coletados dados relacionados à força muscular nos movimentos de abdução e flexão de ombro e extensão e flexão de joelho, avaliados com dinamômetro manual. Também foram mensurados níveis de dor pela escala EVA, impulsão vertical e horizontal, velocidade com o teste 3x30 sprints, resistência através da escala BORG e percepção de esforço pelo questionário PECOPES. Todos os testes foram realizados nas fases folicular, ovulatória e lútea do ciclo menstrual. RESULTADOS: A média de idade das atletas foi 15 anos. Nenhuma delas utilizou contraceptivo hormonal ou teve lesão recente nos membros inferiores. A força média na fase folicular foi de 23,9 kgf, na fase ovulatória foi de 20 kgf, e na fase lútea foi de 22,2 kgf. A dor foi de 7 na fase folicular, 6,7 na ovulatória e 6 na lútea. A impulsão vertical e horizontal foi de 47 cm e 1,98 m na fase folicular, 45,5 cm e 1,94 m na fase ovulatória, e 43,7 cm e 1,88 m na fase lútea. Nos testes de sprints, os tempos foram de 5,3 s, 5,6 s e 5,2 s para as fases folicular, ovulatória e lútea, respectivamente. A percepção de esforço pela escala Borg foi de 4,6, 5 e 4. No questionário PECOPES, as pontuações foram 32,6 pontos na fase folicular, 36 pontos na fase ovulatória e 35 pontos na fase lútea. CONCLUSÕES: Os resultados indicam que a fase folicular apresenta valores mais altos de força muscular, impulsão vertical e horizontal, além de menor percepção de dor e esforço, já as fases ovulatória e lútea apresentam valores inferiores. Esses dados demonstram que o ciclo menstrual tem influência no desempenho esportivo em atletas de handebol, com diferentes variáveis apresentando desempenhos distintos em cada fase do ciclo. Portanto, é essencial considerar as variações hormonais e suas implicações no treinamento das mulheres atletas. IMPLICAÇÕES: Este estudo revela as diferenças de variáveis relacionadas ao treinamento físico em cada fase do ciclo menstrual, o que pode influenciar o desempenho físico devido às variações hormonais. No contexto clínico, é crucial ajustar o treinamento das atletas levando em conta essas diferenças fisiológicas, visando otimizar o rendimento nas diferentes fases do ciclo menstrual.