Desenvolvimento e Confiabilidade do Índice Dinâmico do Pé para Avaliação da Marcha

Autores

  • GUILHERME AUGUSTO UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS (UFMG)

Resumo

CONTEXTUALIZAÇÃO: Durante a fase de apoio da marcha, os movimentos de pronação e supinação do pé permitem que ele interaja com o solo de maneiras distintas. Alterações na magnitude, duração e no momento de ocorrência desses movimentos estão associadas a diversas condições musculoesqueléticas, como dor no quadril, tendinopatia de Aquiles e síndrome do estresse tibial medial. Métodos tradicionais de avaliação, como sistemas optoeletrônicos tridimensionais, são pouco acessíveis à prática clínica por seu alto custo e complexidade. Assim, há necessidade de ferramentas clínicas práticas e confiáveis para análise do padrão de movimento do pé durante a marcha. OBJETIVOS: Desenvolver e investigar a confiabilidade intra e inter-examinadores de uma nova escala observacional para análise dos movimentos do pé durante a marcha: o Índice Dinâmico do Pé (IDP). MÉTODOS: Trata-se de um estudo metodológico de confiabilidade intra e inter-examinadores, com 49 adultos jovens saudáveis (28 mulheres e 21 homens; 23,72 ± 4,2 anos). A coleta foi realizada por meio de filmagens em vista posterior, com uso de câmera de smartphone e análise via software Kinovea. A escala IDP foi aplicada por dois avaliadores experientes, em três subfases da fase de apoio: resposta à carga, apoio médio e impulsão. Os movimentos foram categorizados em supinação (-1), neutro (0) ou pronação (+1). A confiabilidade foi analisada pelo coeficiente Kappa ponderado. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética (CAAE: 00890818.8.000.5149). RESULTADOS: O IDP demonstrou confiabilidade intra-examinador variando de moderada a substancial (Kappa entre 0,54 e 0,80) e confiabilidade inter-examinadores entre razoável e substancial (Kappa entre 0,28 e 0,68). Os maiores índices de concordância intra-examinador ocorreram nas subfases de resposta à carga e impulsão. A menor confiabilidade inter-examinadores foi observada durante o apoio médio do pé esquerdo. Os níveis de concordância absoluta variaram entre 65% e 92%. CONCLUSÕES: O Índice Dinâmico do Pé (IDP) demonstrou níveis adequados de confiabilidade para aplicação clínica por um mesmo avaliador em diferentes momentos. Contudo, a interpretação de resultados entre diferentes examinadores requer cautela, sobretudo na análise da subfase de apoio médio da marcha, onde a concordância foi inferior. IMPLICAÇÕES: O IDP se mostra uma ferramenta clínica promissora, prática e de baixo custo para avaliação dos movimentos do pé durante a marcha. Pode ser incorporado à rotina de fisioterapeutas em contextos clínicos, contribuindo para intervenções mais direcionadas. Estudos futuros devem explorar a aplicação da escala em populações com disfunções musculoesqueléticas e considerar adaptações metodológicas para melhorar sua confiabilidade inter-examinadores.

Publicado

2025-08-31

Como Citar

Desenvolvimento e Confiabilidade do Índice Dinâmico do Pé para Avaliação da Marcha. (2025). Anais Do Congresso Brasileiro Da Associação Brasileira De Fisioterapia Traumato-Ortopédica - ABRAFITO, 5(1). https://seer.uftm.edu.br/anaisuftm/index.php/abrafito/article/view/2633