Qual a melhor modalidade online para promover educação em dor para usuários SUS com dor crônica? Estudo de métodos mistos

Autores

  • MARINA PEGORARO BARONI UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CENTRO-OESTE (UNICENTRO) / UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO (UNICID)
  • GISELA CRISTIANE MIYAMOTO UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO (UNICID)
  • CINTIA RAQUEL BIM UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CENTRO-OESTE (UNICENTRO)
  • SIBELE DE ANDRADE MELO KNAUT UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CENTRO-OESTE (UNICENTRO)
  • KAWANE BRITO KRUSCIELSKI UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CENTRO-OESTE (UNICENTRO)
  • LUIZ HESPANHOL HESPANHOL UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP)
  • BRUNO TIROTTI SARAGIOTTO UNIVERSITY OF TECHNOLOGY SYDNEY

Resumo

CONTEXTUALIZAÇÃO: As diretrizes clínicas recomendam exercício físico e educação em dor como primeiras opções para o tratamento da dor musculoesquelética crônica. No entanto, a implementação tem sido lenta, gerando uma lacuna entre a evidência e a prática. Intervenções online surgem como estratégias promissoras para ampliar o acesso a cuidados baseados em evidências. Neste contexto, desenvolvemos três modalidades online de um programa de educação em dor (EducaDor) para usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) com dor musculoesquelética crônica. OBJETIVOS: Avaliar aceitabilidade, adequação e viabilidade da implementação de três modalidades online do programa EducaDor para usuários do SUS com dor musculoesquelética crônica. MÉTODOS: Foi conduzido um estudo de métodos mistos: 1) ensaio controlado aleatorizado híbrido do tipo III; 2) qualitativo. Aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa envolvendo Seres Humanos (CAAE 11,975,019.0.0000.0106; date: 07/15/2022) e registrado prospectivamente no ClinicalTrials.gov (NCT05302180; 03/29/2022). Participantes da atenção primária foram randomizados em grupo síncrono, assíncrono vídeos e assíncrono e-book. Todos receberam uma intervenção mínima que consistiu de intervenção baseada em fisioterapia; o e-book disponível em https://drive.google.com/file/d/1e8Y5PHAXvLWRznJZD3ggGLc7TK0UX859/view?usp=d; e suporte assíncrono em grupo de WhatsApp por 10 semanas. O grupo síncrono também recebeu 10 videochamadas síncronas; o grupo assíncrono vídeos recebeu 10 vídeos; e o grupo assíncrono e-book recebeu apenas a intervenção mínima. Foi realizada avaliação após o término da intervenção para os desfechos de implementação: aceitabilidade, adequação e viabilidade. Utilizou-se escala Likert de cinco pontos e a média da pontuação obtida foi considerada. A aceitabilidade também foi analisada pela satisfação em escala numérica de 11 pontos. Maiores valores indicam maior aceitabilidade, adequação e viabilidade à implementação do programa EducaDor. O estudo qualitativo foi conduzido com entrevistas individuais e questionário semi-estruturado. Foi utilizado modelos lineares mistos e análise temática. RESULTADOS: Participaram 311 usuários do SUS. O grupo síncrono apresentou maiores médias de satisfação, adequação e viabilidade [(8,5 ±2,5; IC95%: 7,9; 9,0); (4,4 ±0,9; IC95%: 4,1; 4,6); (4,2 ±1,0; IC95%: 4,0; 4,5), respectivamente]. As diferenças médias de adequação e viabilidade foram superiores no grupo síncrono comparado ao grupo e-book [(0,4; IC95%: 0,1; 0,7); (0,5; IC95%: 0,1; 0,8), respectivamente]. Trinta participantes foram entrevistados. Destacaram-se como facilitadores: horário flexível, tecnologias de fácil manuseio, redução da barreira geográfica, atividades gradativas e maior conhecimento sobre dor. O grupo e-book relatou mais barreiras: acesso limitado à tecnologia, dificuldade com as atividades, impessoalidade, falta de individualização e ausência de encontros presenciais. CONCLUSÕES: As modalidades síncrona e assíncrona vídeos do EducaDor demonstraram maior aceitabilidade, adequação e viabilidade para os usuários do SUS com dor musculoesquelética crônica. A modalidade assíncrona vídeos, no entanto, apresenta maior potencial de escalabilidade por demandar menos recursos humanos. IMPLICAÇÕES: Iniciativas como a Estratégia de Saúde Digital para o Brasil 2020-2028 e o Programa SUS Digital são avanços na transformação digital no SUS, mas sua efetividade depende de investimentos contínuos em infraestrutura, conectividade e capacitação profissional, especialmente nas regiões vulneráveis.

Publicado

2025-08-31

Como Citar

Qual a melhor modalidade online para promover educação em dor para usuários SUS com dor crônica? Estudo de métodos mistos. (2025). Anais Do Congresso Brasileiro Da Associação Brasileira De Fisioterapia Traumato-Ortopédica - ABRAFITO, 5(1). https://seer.uftm.edu.br/anaisuftm/index.php/abrafito/article/view/2634