Fatores associados à dor lombar em idosos do English Longitudinal Study of Ageing
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: A dor lombar representa um dos maiores desafios para a saúde pública global, sendo a principal causa de anos vividos com incapacidade. Em populações envelhecidas, como a do English Longitudinal Study of Ageing (ELSA), compreender os determinantes dessa condição torna-se essencial para desenvolver estratégias de prevenção e manejo adequadas. OBJETIVOS: Investigar fatores associados à dor lombar em idosos, com foco na qualidade de vida e em características sociodemográficas e funcionais. MÉTODOS: Estudo transversal com dados de 8.736 pessoas acima de 50 anos, provenientes da 9ª onda do ELSA. A exposição foi a presença de dor lombar autorrelatada. A qualidade de vida foi mensurada pelo instrumento CASP-19 (Controle, Autonomia, Autorrealização e Prazer). Variáveis independentes incluíram idade, sexo, renda, estado civil, etnia, limitação funcional (AVDs e AIVDs) e prática de atividade física (leve, moderada e vigorosa). Foi realizada regressão de Poisson com variância robusta para estimar razões de prevalência (RP) ajustadas. O estudo foi aprovado pelo South Central – Berkshire Research Ethics Committee (17/SC/0588). RESULTADOS: A prevalência de dor lombar foi de 18,36% (1.604 casos). Mulheres apresentaram 37% maior prevalência de dor lombar (RP=1,37; IC95%: 1,23–1,54) e indivíduos separados/divorciados mostraram 48% superior aos solteiros (RP=1,48; IC95%: 1,03–2,13). Cada ponto adicional no CASP-19 reduz em 3% a prevalência do desfecho (RP=0,97; IC95%: 0,96–0,98). Participantes com limitações em AVDs/AIVDs apresentaram risco mais que dobrado (RP=2,27; IC95%: 2,00–2,63). A prática frequente de atividade moderada (>1 vez/semana) reduziu em 26% frente à prática esporádica (1-3 vezes/mês; RP=0,74; IC95%: 0,61–0,91) e em 17% frente à prática rara (RP=0,83; IC95%: 0,71–0,97), já a prática irregular (1-3 vezes/mês) aumentou o em 35% (RP=1,35; IC95%: 1,10–1,65), a prevalência do desfecho. Para atividade vigorosa, a prática rara elevou a prevalência em 19% (RP=1,19; IC95%: 0,99–1,43), porém sem significância estatística (p=0,066). Atividades leves não tiveram associação. CONCLUSÕES: A dor lombar em idosos está associada a menor qualidade de vida, ao sexo feminino, a ser separado/divorciado, com limitação funcional e inatividade física. O aumento do escore de qualidade de vida no CASP-19 demonstrou papel redutor da dor lombar de maneira independente. IMPLICAÇÕES: Os achados destacam a importância da promoção da qualidade de vida e da atividade física moderada como estratégias não farmacológicas no enfrentamento da dor lombar em idosos. Esses fatores devem ser considerados na formulação de políticas públicas, práticas fisioterapêuticas e intervenções multidisciplinares no contexto do envelhecimento.Publicado
2025-09-11
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Fatores associados à dor lombar em idosos do English Longitudinal Study of Ageing. (2025). Anais Do Congresso Brasileiro Da Associação Brasileira De Fisioterapia Traumato-Ortopédica - ABRAFITO, 5(1). https://seer.uftm.edu.br/anaisuftm/index.php/abrafito/article/view/2636