ANÁLISE ELETROMIOGRÁFICA DE CONTRAÇÃO ISOMÉTRICA VOLUNTÁRIA MÁXIMA DOS MÚSCULOS DOS MEMBROS INFERIORES EM CORREDORES DO MEIO-OESTE CATARINENSE
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: A corrida é uma das práticas esportivas mais populares e acessíveis, promovendo benefícios cardiovasculares, mentais e musculoesqueléticos; todavia, lesões musculoesqueléticas, especialmente nos membros inferiores, são prevalentes entre os praticantes. A eletromiografia de superfície é um exame que permite analisar a atividade mioelétrica, inclusive durante contrações isométricas, possibilitando identificar alterações fisiológicas e padrões biomecânicos que podem contruibuir para o desenvolvimento de lesões em corredores. OBJETIVOS: O objetivo do estudo foi analisar o pico de ativação muscular durante a contração isométrica voluntária máxima de músculos dos membros inferiores, comparando o lado dominante com o não dominante. MÉTODOS: Foi realizado um estudo transversal com corredores do meio-oeste catarinense que praticavam corrida há pelo menos 8 meses, com frequência mínima de duas vezes por semana e distância média semanal de no mínimo 10km. Utilizou-se um eletromiógrafo de superfície (MioTool, Miotec, Porto Alegre, BR) com a localização dos eletrodos conforme preconizado pelo SENIAM (Surface ElectroMyoGraphy for the Non-Invasive Assessment of Muscles), para registrar o pico de ativação dos músculos glúteo médio, reto femoral, vastos medial e lateral, bíceps femoral, semitendinoso, gastrocnêmios lateral e medial, sóleo e tibial anterior. Cada participante realizou três contrações isométricas voluntárias máximas de 5 segundos, com intervalos de 30 segundos de descanso entre as contrações. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC) com o número de parecer 6.863.799 (CAAE:79735724.1.0000.5367). RESULTADOS: Foram analisados os dados de 20 corredores, sendo 12 do sexo feminino e 8 do sexo masculino, com média de idade de 37, 35±9, 79 anos. A análise do pico de ativação muscular entre os lados dominante e não dominante apresentou diferença estatisticamente significativa somente no músculo vasto medial (p=0,038). Para os demais músculos avaliados não houve diferenças significativas nos picos de ativação muscular entre os lados dominante e não dominante (p>0,05). As médias dos picos de ativação muscular coletados variaram entre 111,7±83,9 uV e 557,0±213,6 uV, com o músculo sóleo apresentando as menores médias de pico de ativação (lado dominante 120,5±92,6 uV; lado não dominante 111,7±83,9 uV) e o tibial anterior as maiores médias de pico de ativação (lado dominante 557,0±213,6 uV; lado não dominante 520,5±190,6 uV). CONCLUSÕES: Conclui-se que, na amostra estudada, não houve diferenças significativas entre o pico de ativação elétrica de músculos dos membros inferiores entre os lados dominante e não dominante na maioria dos segmentos musculares analisados. A diferença encontrada no pico de ativação mioelétrica do músculo vasto medial, embora isolado, pode ser um indicador precoce de sobrecarga ou assimetria funcional nesta amostra. IMPLICAÇÕES: A eletromiografia de superfície é um exame que permite analisar a ativação muscular propiciando a investigação de possíveis disfunções na atividade mioelétrica de estruturas contráteis essenciais em gestos funcionais, incluindo a corrida, o que permite ao fisioterapeuta o desenvolvimento de intervenções adequadas, favorecendo a prevenção e a reabilitação de lesões em corredores.