Condutas cinesioterapêuticas utilizadas no treinamento de força muscular em indivíduos com dor cervical crônica: análise de viés em revisão sistemática
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: Entre as doenças crônicas não transmissíveis responsáveis por incapacidades, a dor cervical ocupa a nona posição entre mulheres e a décima primeira entre homens. Embora casos relatados de dor cervical frequentemente apresentem remissão em semanas, cerca de 5 a 7% evoluem para a forma crônica. Estima-se que entre 22% e 70% da população mundial experiencie dor cervical em algum momento da vida. Diretrizes clínicas recomendam tratamentos multimodais, com ênfase em exercícios ativos, especialmente os de fortalecimento muscular, reconhecidos por seus efeitos benéficos na redução da dor. Contudo, observa-se uma ausência de padronização na prescrição desses exercícios. OBJETIVOS: Investigar se há um padrão estabelecido na prescrição de exercícios resistidos para indivíduos com dor cervical, com base nos componentes do modelo FITT-VP (Frequência, Intensidade, Tempo, Tipo, Volume e Progressão), organizados em uma revisão sistemática. MÉTODOS: Foram realizadas buscas sistemáticas nas bases SCOPUS, Web of Science, Science Direct, Embase, CINAHL, BVS e PubMed, utilizando descritores controlados. Além disso, foi utilizada a ferramenta Mendeley para gerenciamento dos estudos encontrados e análise por dois revisores, independentes e um terceiro para análise de conflitos. Foram incluídos estudos publicados em português, espanhol e inglês que atenderam aos critérios de elegibilidade. O projeto desta revisão sistemática tem registro PROSPERO CRD42022338620 e seguiu as orientações Prisma de Itens Preferidos e recomendados para Revisões Sistemáticas e Meta-Análises. RESULTADOS: Doze estudos foram incluídos na revisão. As intervenções variaram de 4 a 20 semanas de duração, sendo que três estudos apresentaram acompanhamento de follow-up. Todos os protocolos incorporaram exercícios resistidos, utilizando dispositivos como faixas elásticas, biofeedback e sacos de areia. A estrutura das prescrições seguiu, em diferentes níveis, os componentes do modelo FITT-VP. CONCLUSÕES: Não há um padrão de prescrição para exercícios resistidos na dor cervical, com destaque para a relevância do uso sistemático dos critérios FITT-VP. Futuras investigações que definam dosagens mais precisas para a prescrição e instrumentos específicos para uso direcionado na reabilitação da dor crônica cervical são necessários. IMPLICAÇÕES: Os achados desta revisão sistemática evidenciam a ausência de um padrão consolidado na prescrição de exercícios resistidos para indivíduos com dor cervical, apesar da ampla recomendação do uso de exercícios nas diretrizes clínicas. A sistematização na aplicação dos componentes do modelo FITT-VP (Frequência, Intensidade, Tempo, Tipo, Volume e Progressão) pode impactar diretamente a eficácia dos protocolos terapêuticos e sua reprodutibilidade na prática clínica. Ao evidenciar lacunas na padronização, o estudo contribui para a formulação de novas investigações que busquem otimizar as dosagens e parâmetros terapêuticos voltados à reabilitação nas condições da dor cervical, aumentando a efetividade dos tratamentos fisioterapêuticos.