Caracterização de uma amostra de pacientes que sofreram lesões dos tendões flexores da mão: fatores contextuais e funcionalidade
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: Lesões traumáticas dos tendões flexores da mão podem levar a perdas funcionais significativas. A avaliação da amplitude de movimento e força muscular ainda são predominantes na prática clínica e na literatura, caracterizando uma escassez de informações sobre medidas de desempenho e fatores contextuais que podem influenciar a recuperação da funcionalidade percebida pelos pacientes afetados. OBJETIVOS: Caracterizar uma amostra de pacientes que sofreram lesões dos tendões flexores da mão quanto a fatores funcionais e contextuais. MÉTODOS: Estudo do tipo transversal, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição de acordo com o parecer: 6.765.581. Foram avaliados 23 indivíduos, maiores de 18 anos, com lesões dos tendões flexores da mão, reparadas há pelo menos 10 semanas. O protocolo consistiu na aplicação dos questionários sociodemográfico e, para função autorrelatada, do Quick-DASH-Br (QD); avaliação de desempenho pelo Teste Funcional da Mão de Jebsen-Taylor (JTHFT) e de afetividades negativas pela escala DASS-21. RESULTADOS: Os pacientes tinham em média 32,3 anos (DP:11,94), a maior parte deles eram do sexo masculino (16); solteiros (14) com ensino médio completo (20), e tinham entre 10 semanas a 6 meses P.O. (17). A mão dominante foi a afetada na maior parte dos traumas (14) e as principais causas foram lesões autoinfligidas (soco em vidro, 10) e acidentes domésticos (8). A zona V foi a mais afetada (17), e associada a lesão nervosa periférica. No P.O. foram adotados regimes de mobilização precoce, ativa (12) ou passiva (9); seguidos de fisioterapia supervisionada (19); o uso de órteses foi frequente (11). O déficit de movimento dos dedos foi relatado por quase metade dos indivíduos (9) como queixa principal. A pontuação média no QD foi de 38 pontos (DP:27,32), sendo notáveis restrições de participação social (9) e limitações para as atividades diárias (16) em uma parcela importante dos pacientes, quando avaliados isoladamente subitens do questionário. A pontuação média do JTHFT para a mão afetada foi 114,40s (DP:65,89) e 85,77s (DP:34,63) para a não afetada, indicando tempos bastante superiores aos valores de normalidade para a faixa etária. A maior parte dos pacientes relatou consumir bebidas alcoólicas pelo menos uma vez por semana (18). A pontuação média para as subescalas da DASS-21 foi de 5,9 pontos para depressão; 5,4 pontos para ansiedade e 8,1 pontos para estresse, todos considerados dentro da faixa de normalidade. CONCLUSÕES: Observou-se prevalência de lesões graves na população avaliada. A análise do QD por subitens aponta para limitações em atividades, corroboradas pelos testes de desempenho, e restrições de participação, autorrelatadas pelos pacientes, mesmo após períodos consideráveis de P.O. Dados referentes a associações entre as variáveis estarão disponíveis no futuro. IMPLICAÇÕES: Este estudo visa contribuir com futuras pesquisas sobre a associação entre medidas de desempenho, fatores contextuais e desfechos clínicos, possibilitando o desenvolvimento de avaliações e estratégias que possam influenciar positivamente a qualidade da reabilitação desses pacientes.