Limiar de dor à pressão em indivíduos com dor crônica no ombro após visualização de imagens de movimento
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: Evidências atuais indicam que a dor no ombro é modulada por diversos fatores, incluindo aspectos emocionais. Além disso, a dor crônica no ombro pode provocar alterações na percepção sensorial e emocional relacionadas ao movimento, o que contribui para a manutenção da incapacidade. Estudos recentes investigam a interação entre dor e emoção com estímulos aversivos. O limiar de dor à pressão (LDP) é uma medida confiável da sensibilidade à dor, apresenta-se reduzido em indivíduos com dor crônica e pode ser utilizado para avaliar respostas fisiológicas diante de estímulos percebidos como ameaçadores. OBJETIVOS: Investigar alterações no limiar de dor à pressão antes e após a visualização de imagens de movimentos do ombro consideradas aversivas em indivíduos com dor crônica no ombro. MÉTODOS: Esse estudo observacional do tipo transversal foi aprovado no CEP (CAAE:67931623.6.0000.5414). As medidas do LDP foram realizadas bilateralmente no deltoide médio e tibial anterior, com algômetro KRATOS, em três mensurações com 30 segundos de intervalo. Após 15 minutos, o indivíduo visualizou 24 imagens (12 aversivas e 12 neutras), apresentadas pseudoaleatoriamente. Após 5 minutos o LDP foi mensurado novamente. A Escala Numérica de Dor (END) do grupo com dor no ombro foi coletada antes e após a visualização. RESULTADOS: O estudo avaliou 113 indivíduos, sendo 59 do grupo com dor crônica no ombro (média de idade 45,2 anos, e 79,5% mulheres) e 54 do grupo controle (média de idade 39,7 anos e 72,3% mulheres). A média do Índice de Dor e Incapacidade no Ombro (SPADI) para o grupo com dor foi de 61,7 ± 22,5. A média da END antes da visualização foi de 2,4 (repouso) e 5,7 (movimento); e após foi de 2,2 (repouso) e 5,5 (movimento). A ANOVA de efeitos mistos indicou haver efeito significativo do grupo sobre o LDP em todos os locais mensurados, p<0,001, bem como efeito da visualização das imagens, p<0,001; e interação entre grupo e tempo (antes e após a visualização das imagens), p<0,001. O pós-hoc de Bonferroni indicou que, no grupo com dor, houve redução significativa do LDP após a visualização das imagens (p<0,001), enquanto no grupo controle essa diferença não foi significativa (p = 0,980). Além disso, os grupos diferiram significativamente em ambos os momentos: antes da visualização (p=0,010) e após a visualização (p<0,001). CONCLUSÕES: Os achados sugerem que indivíduos com dor crônica no ombro apresentam maior sensibilidade à dor à pressão, comparados a controles saudáveis, indicando uma possível sensibilização central. A exposição a imagens de movimento provocou uma redução significativa no LDP apenas no grupo com dor, evidenciando que fatores emocionais podem modular a percepção de dor em indivíduos com dor crônica. IMPLICAÇÕES: Esses resultados reforçam a importância de considerar o componente emocional na avaliação e tratamento da dor crônica no ombro. Intervenções que visem reduzir o medo associado ao movimento, como exposição gradual ao movimento e educação em dor, podem ser úteis para o manejo da dor, enfrentamento do medo e melhora funcional nesses pacientes.