AVALIAÇÃO DO CONTROLE POSTURAL EM INDIVÍDUOS COM DOR CERVICAL INESPECÍFICA E ASSINTOMÁTICOS
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: Dor cervical é uma das afecções musculoesqueléticas mais comuns, de natureza complexa e multifatorial. Dentre os fatores associados apresentados na literatura, está a alteração no controle postural. OBJETIVOS: O presente estudo teve como objetivo analisar o controle postural entre indivíduos com dor cervical inespecífica e indivíduos assintomáticos, considerando as influências dos sistemas vestibular, visual e proprioceptivo. MÉTODOS: Foi realizada uma pesquisa transversal com indivíduos com dor cervical inespecífica e indivíduos assintomáticos. O controle postural foi avaliado por meio de variáveis relacionadas aos deslocamentos do centro de pressão (COP), incluindo as médias de deslocamento ântero-posterior (AP) e médio-lateral (ML), oscilação mínima e máxima do baricentro, comprimento do traço (distância total percorrida pelo COP), raio e velocidade. Para essa análise, foi utilizada uma plataforma de força da empresa BTS Bioengineering, modelo P-6000 (PLT-001). Para investigar a influência dos sistemas vestibular, visual e proprioceptivo no controle postural, foram adotadas oito diferentes condições de posicionamento sobre a plataforma. Esses posicionamentos variaram quanto à estabilidade da superfície (estável ou instável), à presença ou ausência de estímulos visuais (olhos abertos ou fechados) e à posição da cabeça (neutra ou em extensão), possibilitando uma avaliação abrangente das contribuições sensoriais na manutenção do equilíbrio postural. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC), sob o parecer n 6.125.245 (CAAE: 69398723.1.0000.5367). RESULTADOS: Foram analisados dados de 20 indivíduos com idades entre 20 e 61 anos, com média de 39,6 ± 16,7 anos, sendo 10 com dor cervical inespecífica e 10 assintomáticos. Desses, 90% eram do sexo feminino e 10% do sexo masculino, em ambos os grupos. Os resultados do estudo demonstraram diferenças estatisticamente significativas entre os grupos nas variáveis máxima oscilação do baricentro (p=0,043), comprimento do traço (p=0,043), raio (p=0,011) e velocidade (p=0,035) no posicionamento em superfície estável, com olhos abertos e posição da cervical neutra, na variável raio (p=0,009) no posicionamento em superfície estável, com olhos fechados e posição da cervical neutra, na variável raio (p=0,043) no posicionamento em superfície estável, com olhos fechados e posição cervical em extensão, e na variável raio (p=0,043) no posicionamento em superfície instável, com olhos fechados e posição da cervical em extensão. CONCLUSÕES: Os resultados do estudo favorecem a conclusão de que indivíduos com dor cervical inespecífica podem apresentam alterações no controle postural em comparação aos assintomáticos. Essas alterações são influenciadas por fatores como privação visual, aumento da demanda proprioceptiva e estímulos vestibulares. IMPLICAÇÕES: Alterações no controle postural podem estar relacionadas à dor cervical inespecífica, considerando as influências dos sistemas vestibular, visual e proprioceptivo e a relação destes com a região cervical. Tais achados evidenciam a importância da avaliação sensorial integrada na prática fisioterapêutica.