Associação entre dor musculoesquelética e qualidade do sono de acordo com o nível de atividade física
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: Condições musculoesqueléticas são uma das principais causas de incapacidade no mundo e apresentam alta prevalência na população brasileira, principalmente entre os idosos. Pacientes com condições musculoesqueléticas têm maior chance de apresentarem baixa qualidade do sono, o que pode reduzir a qualidade de vida e aumentar o risco de doenças cardiovasculares e mortalidade. Ademais, pacientes com baixa qualidade do sono têm maior chance de apresentarem dores musculoesqueléticas, indicando uma associação bidirecional entre as condições. A influência do nível de atividade física nessa associação ainda é pouco investigada. OBJETIVOS: Investigar a associação entre dor musculoesquelética e qualidade do sono, segundo o nível de atividade física, em pacientes da atenção primária. MÉTODOS: Análise transversal da onda de avaliação realizada em 2016 do estudo coorte da cidade de Bauru, estado de São Paulo, envolvendo pacientes da atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS). O estudo de coorte de Bauru foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Unesp, campus de Bauru (Processo n 1047/46/01/10), Plataforma Brasil (Parecer n 210.363) e pela Comissão de Ética da Secretaria Municipal de Saúde de Bauru. A dor musculoesquelética foi identificada pela presença de dor lombar crônica ou osteoartrite. O nível de atividade física foi avaliado pelo questionário de Baecke e os participantes com escore igual ou acima do percentil 75 foram denominados “Ativos”. A qualidade de sono pelo Mini-Sleep Questionnaire. A associação entre dor musculoesquelética e a qualidade do sono foi estimada por meio da regressão logística binária, gerando valores de odds ratio (OR) e seus respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%). O nível de significância adotado foi de 5%. RESULTADOS: Um total de 557 participantes foram incluídos, com média de idade de 70,0 ± 8,4 anos, e prevalência de dor musculoesquelética de 72,2% (n = 402). Os participantes fisicamente inativos com dor musculoesquelética apresentaram 2,3 vezes mais chance de possuir baixa qualidade de sono (OR: 2,29 [IC95%: 1,73 – 4,86]), enquanto a associação entre dor musculoesquelética e a qualidade do sono não foi significativa em participantes fisicamente ativos (OR: 1,85 [IC 95%: 0, 88 – 3,93]). CONCLUSÕES: A presença de dor musculoesquelética está associada à baixa qualidade do sono em indivíduos fisicamente inativos. Por outro lado, essa associação não foi observada em participantes ativos, sugerindo um possível papel protetor da atividade física. IMPLICAÇÕES: Os resultados sugerem um potencial papel protetor da atividade física na associação entre dor musculoesquelética e baixa qualidade de sono. Portanto, essa influência deve ser considerada no tratamento fisioterapêutico de pacientes que apresentam essas condições.