Perfil Sociodemográfico e Funcional de Indivíduos com Amputação de Membros Inferiores por Causas Traumáticas e Não Traumáticas: Um Estudo Epidemiológico
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: Compreender os fatores associados às causas de amputações permite o planejamento das estratégias de reabilitação, a identificação de grupos de risco, direcionamento de políticas públicas e desenvolvimento de programas personalizados OBJETIVOS: Descrever o perfil sociodemográfico e funcional de indivíduos amputados de membro inferior protetizados por causas traumáticas e não traumáticas. MÉTODOS: Este é um estudo observacional transversal (CAAE:80562317.1.0000.5440) que buscou avaliar indivíduos com amputação unilateral de membro inferior protetizados há pelo menos seis meses e em acompanhamento no Ambulatório de Amputados de um serviço de saúde terciário do SUS. Foram coletados dados sociodemográficos e questionários de autorrelato para avaliar a habilidade de andar com a prótese (Escala de Houghton-Br) e a capacidade de realizar atividades de vida diária de forma independente (Índice de Capacidade Locomotora - ICL), e descritos por médias e porcentagens. RESULTADOS: O perfil sociodemográfico de 92 indivíduos revelou predominância de homens com média de idade de 55 anos, que não completaram o ensino fundamental (50%). O nível transtibial (56,5%) foi o mais prevalente, seguido do nível transfemoral (31,5%). Quando avaliados por subgrupos por causa de amputação, o grupo de causa traumática (46,2%) apresentou média idade de 51 anos, eram solteiros (37,2%) ou divorciados (23,2%), apresentavam hipertensão arterial (26,5%) ou diabetes (18,6%), estavam trabalhando (88,3%) e se aposentaram após o acidente (67,4%). Já o grupo de causa não traumática (53,3%) apresentou média de idade de 60 anos, eram casados (55,1%), apresentavam hipertensão arterial (61,0%) ou diabetes (67,0%), estavam trabalhando (77,0%), mas se aposentaram após a amputação (71,0%). O perfil funcional também apresentou diferenças entre os grupos por causa traumática e não traumática. Os primeiros, utilizavam prótese há 12 anos, precisavam de dispositivos auxiliares como bengala (76,7%) ou muletas (16,2%), e obtiveram pontuação média de 9 pontos na escala de Houghton-Br (0 a 12 pontos) e 35 pontos no ICL (0 a 42 pontos). A primeira escala, além de demonstrar maior frequência de uso da prótese, também permite classificá-los como deambuladores comunitários independentes (pontuação > 9 pontos). Os segundos, utilizavam prótese há 7 anos, precisavam de dispositivos auxiliares de marcha como bengalas (30%) e andador (12%), e obtiveram pontuação média de 7,5 pontos na escala de Houghton-Br e 31,7 pontos no ICL, além de serem classificados como deambuladores domiciliares e comunitários limitados (pontuação entre 6 e 8 na Escala de Houghton-Br). CONCLUSÕES: O estudo evidenciou diferenças sociodemográficas entre indivíduos com amputações traumáticas e não traumáticas em relação à idade, doenças associadas, estado civil, e retorno ao trabalho, assim como aspectos funcionais como uso de dispositivos de marcha, a habilidade de andar e a independência e capacidade de realizar atividades de vida diária. IMPLICAÇÕES: Considerar as diferenças socioeconômicas e físicas de pessoas que sofreram amputação por diferentes causas colabora para um cuidado centrado no paciente, além de colaborar com medidas preventivas e ações específicas objetivando o sucesso na reabilitação e a reintegração social destes indivíduos.