Relação entre PSE e edema muscular em resposta a um protocolo de treinamento de exercício de força.
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: O treinamento de exercício de força é uma estratégia importante para aumentar a capacidade neuromuscular e estabilidade articular, além de um aumento acentuado na área transversal do músculo e impulso neural. No entanto, uma variável importante que deve ser considerada na prescrição dos exercícios de força é o volume adequado,visto que estudos recentes demonstram uma resposta de força e hipertrofia semelhante entre o treinamento até a falha muscular (TFM) e não falha muscular (TNFM), quando os protocolos investigados foram realizados com volumes de treinamentos semelhantes. Dessa forma, é relevante a equiparação da carga de treinamento ao comparar as respostas de força e hipertrofia muscular promovidas por diferentes protocolos de treinamento. A escala de percepção subjetiva de esforço (PSE) é eficiente em avaliar a intensidade de um exercício com base na percepção subjetiva do indivíduo, sendo comumente utilizada na prática clínica fisioterapêutica a fim de aumentar a capacidade do indivíduo, através da realização do manejo da demanda imposta no treinamento de exercício de força. Entretanto, ainda são escassas as informações acerca da correlação entre a PSE e edema muscular. OBJETIVOS: Avaliar a correlação da resposta aguda do edema muscular e PSE, após um protocolo de exercício de força até a falha muscular e não falha muscular. MÉTODOS: O presente projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Federal de Minas Gerais (UFMG) como o número (CAAE - 79108117.5.0000.5149). Foram recrutados 11 voluntários do sexo masculino, com idade entre 18 e 35 anos, há pelos menos 6 meses, sem participar de um programa de treinamento de força, e que não estivessem histórico de lesões musculotendíneas nos membros inferiores, coluna e pelve. Além disso, não poderiam fazer uso de ergogênicos farmacológicos nutricionais. Os voluntários na 1a sessão após darem o consentimento por escrito (assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido - TCLE) foram submetidos a uma anamnese, buscando verificar possíveis limitações relacionadas à participação na pesquisa, em seguida caracterizados com relação a sua massa corporal, percentual de gordura e estatura. Na 2a e 3a sessões foram familiarizados ao protocolo de treinamento de força, e na 4a. sessão o teste de 1 RM foi executado de acordo com as seguintes orientações: número máximo de 6 tentativas, pausa de 5 min entre tentativas, progressão gradual do peso mediante à percepção dos voluntários e dos avaliadores (ajuste mínimo 0,5 kg). O desempenho no teste de 1RM correspondeu ao peso inserido no aparelho na última tentativa que o voluntário conseguiu executar uma ação muscular concêntrica com a ADM pré-determinada. Nas 5a a 9a sessão, foram realizados os outros cinco protocolos de TNFM com número de repetições 10, 20, 30, 40 ou 50% menor que o TFM. Obteve-se a PSE dos voluntários no intervalo de cada série do protocolo, além disso, anteriormente haviam realizado a familiarização à escala, incluindo ancoragem. Todavia, antes de começar cada protocolo os voluntários ficavam 15 minutos de repouso em uma maca em decúbito dorsal. Nesse período, as regiões anteriores de ambas as coxas foram marcadas para identificar os pontos de referência para a aquisição das imagens ultrassonográficas através de um aparelho de ultrassom de bolso (Vinno, Suzhou, China) sendo usado no modo de campo de visão estendido (panorâmico). As imagens foram realizadas na área de secção transversa do músculos vasto lateral a 50% do comprimento do fêmur, a profundidade de captação de imagem e o ganho foram ajustados de acordo com a circunferência da coxa e composição corporal do voluntário, respectivamente. As configurações para aquisição da imagem foram ajustadas para cada voluntário com objetivo de produzir as imagens mais nítidas. O mesmo examinador experiente conduziu a aquisição das imagens. A sonda do ultrassom foi posicionada transversalmente à coxa do voluntário, e em paralelo linha intercondilar por meio de uma guia acoplada na coxa do sujeito (guia da sonda). Esse procedimento foi realizado com velocidade constante (controlada por metrônomo). Cada imagem é realizada entre 12 e 15 s, dependendo da circunferência da coxa do voluntário. Os dados foram analisados através do software SigmaPlot 11.0, e expressos em média ± erro padrão da média, as correlações analisadas através da correlação de Pearson. O nível de significância foi p < 0,05. RESULTADOS: Foi observado a correlação (p=0,0462), fraca (r=0,361) entre PSE e edema nos diferentes protocolos analisados CONCLUSÕES: Foi observado uma diferença significativa entre as correlações de PSE e edema, entretanto é considerada uma correlação fraca entre as variáveis IMPLICAÇÕES: Avaliar aspectos do treinamento do exercício de força, fornece evidências em relação melhor entendimento da importância de cada variável que compõe carga de trabalho, além de respostas que envolvem o treinamento de força. Da mesma forma, pode melhorar a estabilidade da articulações, propriocepção e transmissão de força. Essas adaptações são cruciais para alcançar uma capacidade funcional e melhor qualidade de vida.