Mapeamento e caracterização de inquéritos sobre intervenções fisioterapêuticas ofertadas para pacientes com osteoartrite: uma revisão de escopo.
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: A osteoartrite (OA) é uma das principais causas de incapacidade no mundo. A fisioterapia desempenha importante papel no tratamento conservador da condição. Diversos estudos são realizados para investigar as escolhas terapêuticas dos fisioterapeutas para o tratamento da OA, dentre estes, os inquéritos. Essa metodologia consiste na coleta de dados por meio de respostas de uma amostra de indivíduos a questões específicas, e permite identificar lacunas entre o conhecimento científico e a prática clínica. OBJETIVOS: Mapear e caracterizar os inquéritos disponíveis sobre intervenções fisioterapêuticas ofertadas para pacientes com OA. MÉTODOS: Trata-se de uma revisão de escopo que utilizou as bases de dados Medline, Embase e Web of Science, além da busca por literatura cinzenta no Google Acadêmico. Foram incluídos estudos transversais, do tipo inquérito, ou de metodologia mista contendo um inquérito, que investigaram as intervenções fisioterapêuticas ofertadas para pacientes com OA. RESULTADOS: Foram incluídos 26 estudos, dos quais 22 (84,6%) foram realizados em países de alta renda, com destaque para o Reino Unido, com 5 estudos (19,2%), e a Austrália, com 3 estudos (11,5%). Apenas 4 publicações (15,4%) ocorreram em países de renda média, sendo 2 delas na Nigéria (7,7%). Os estudos foram publicados entre 2007 e 2024, com amostras que variaram de 62 a 1.148 participantes. Apenas 1 estudo (3,85%) especificou o nível de atenção à saúde, sendo realizado na atenção primária. A maioria das publicações investigou o tratamento fisioterapêutico para OA de joelho, totalizando 18 estudos (69,23%), 4 estudos (15,38%) abordaram a articulação do quadril, 1 estudo (3,85%) focou nos membros inferiores de forma geral, 1 (3,85%) abordou joelho e quadril simultaneamente, 1 (3,85%) investigou o tornozelo e 1 (3,85%) abordou a primeira articulação metatarsofalangiana. A população estudada foi composta integralmente por fisioterapeutas, embora 2 estudos (7,69%) também tenham incluído podólogos. Os métodos utilizados para identificar as intervenções apresentaram, com maior frequência, a associação de questões fechadas e abertas, adotada em 10 estudos (38,5%). Em segundo lugar, a combinação de um caso clínico com questões mistas foi observada em 7 estudos (26,9%). Quanto à forma de administração dos inquéritos, predominou a aplicação online, presente em 19 estudos (73,08%). CONCLUSÕES: A revisão revelou que os levantamentos sobre intervenções fisioterapêuticas na OA estão concentrados, em sua maioria, em países de alta renda, com ênfase na articulação do joelho. Observou-se o predomínio de aplicações online e uma preferência por metodologias mistas nos instrumentos de coleta, combinando questões abertas e fechadas. Os achados auxiliam na compreensão do escopo deste tipo de estudo na literatura, que auxilia na identificação do tratamento ofertado para OA, uma doença altamente prevalente. IMPLICAÇÕES: A predominância de pesquisas em nações economicamente favorecidas restringe a compreensão da atuação fisioterapêutica em contextos com diferentes realidades socioeconômicas. Ressalta-se a ausência de estudos na América do Sul e a predominância da investigação nas articulações dos membros inferiores com pouca atenção às manifestações da OA em membros superiores e coluna. Tais aspectos reforçam a necessidade de novas pesquisas que ampliem a representatividade regional e explorem outras articulações, contribuindo para um conhecimento mais abrangente sobre o tratamento fisioterapêutico da OA.