Correlação entre Auto-eficácia e estados afetivos em indivíduos com dor persistente

Autores

  • PABLO HENRIQUE BATISTA DUTRA UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA (UFU)
  • ANA THAYSA DE PAULO UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA (UFU)
  • CAUANE PEREIRA MELO UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA (UFU)
  • LILIAN RAMIRO FELICIO UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA (UFU)
  • JULIA MARIA DOS SANTOS UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA (UFU)

Resumo

CONTEXTUALIZAÇÃO: A dor crônica de caráter nociplástico, considerada um tipo de dor mais relacionada ao processamento disfuncional e mal adaptativo do sistema nervoso central (SNC) do que um estado alterado do tecido em si, envolve, além do comprometimento da função física, componentes emocionais, comportamentais, sociais e ambientais, que impactam diretamente a qualidade de vida desses indivíduos. Pacientes com esse perfil normalmente apresentam um quadro de dor difusa, hiperalgesia, alodínia e diversas comorbidades e alterações emocionais, tais como transtornos de humor do tipo ansiedade e depressão, distúrbios do sono, fadiga crônica, cinesiofobia, catastrofização e medo. Aspectos emocionais podem afetar a evolução do indivíduo dentro de um programa de reabilitação, tanto para melhora quanto piora. Conhecer como esses aspectos emocionais se processam no indivíduo pode melhorar a compreensão do quadro clínico e direcionar intervenções fisioterapêuticas mais adequadas. OBJETIVOS: Correlacionar aspectos psicossociais e emocionais de uma população que sofre com dor persistente, a fim de aprimorar a avaliação e o tratamento fisioterapêutico. MÉTODOS: Estudo desenvolvido no Laboratório de Avaliação em Biomecânica e Neurociências (LABiN) do curso de Fisioterapia da Universidade Federal de Uberlândia, submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Instituição (CAAE: 31064020.0.0000.5152). 44 voluntários de ambos os sexos, entre 18 e 60 anos, com dor crônica há mais de 3 meses responderam o questionário de auto-eficácia sobre a dor (PSEQ10), o Inventário de Sensibilização Central (CSI), a escala de catastrofização sobre a dor (PCS) e a escala de afetos PANAS. A normalidade foi verificada pelo teste de Shapiro-Wilk, seguido pelo coeficiente de correlação de Pearson, com nível de significância de 5%. Tomou-se como base o valor do coeficiente como forte (0,5 < r < 1), moderado (0,3 < r < 0,5) ou fraco (r < 0,3). RESULTADOS: Houve correlação inversa forte entre auto-eficácia e sensibilização central (r = -0,5; p<0,05) e entre auto-eficácia e catastrofização (r = -0,52; p<0,05). Não houve correlação entre auto-eficácia e dor e nem entre auto-eficácia e afetos positivos ou negativos. Os resultados mostraram que sintomas de sensibilização central e de catastrofização sobre a dor podem interferir de maneira negativa sobre os índices de auto-eficácia, ou seja, quanto piores os escores de sensibilização central e catastrofização, mais baixos foram os índices de auto-eficácia apresentados pela população do estudo. CONCLUSÕES: A sensibilização central e catastrofização sobre a dor podem afetar diretamente a confiança do indivíduo em sua habilidade pessoal de minimizar comportamentos dolorosos e de evitação da dor, fatores que contribuem para um pobre repertório de auto-controle da dor. IMPLICAÇÕES: Esses resultados reforçam a complexidade das interações entre os fatores psicológicos e fisiológicos envolvidos na experiência da dor, contribuindo para o entendimento da auto-eficácia e seus impactos nos aspectos emocionais e cognitivos de indivíduos com dor persistente. O estudo colabora com maior conhecimento e compreensão sobre aspectos afetivo-comportamentais interferindo na dor de cada indivíduo e assim, pode fornecer subsídios para melhor abordagem do mesmo durante os processos de avaliação e tratamento fisioterapêutico. Apoio: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais – FAPEMIG (bolsa de Iniciação Científica).

Publicado

2025-08-31

Como Citar

Correlação entre Auto-eficácia e estados afetivos em indivíduos com dor persistente. (2025). Anais Do Congresso Brasileiro Da Associação Brasileira De Fisioterapia Traumato-Ortopédica - ABRAFITO, 5(1). https://seer.uftm.edu.br/anaisuftm/index.php/abrafito/article/view/2674