Frequência percebida de câimbras como preditor de sua ocorrência durante prova de triátlon: estudo longitudinal
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: As câimbras musculares associadas ao exercício (EAMC) são uma preocupação comum entre triatletas, pois causam desconforto e comprometem o desempenho e a recuperação. Apesar de serem frequentes em provas de longa duração, os fatores de risco para sua ocorrência permanecem pouco compreendidos. O histórico de EAMC é o fator de risco mais consistente na literatura, porém nenhum estudo investigou como a frequência desses episódios poderia facilitar a identificação de triatletas sob maior risco OBJETIVOS: Investigar o quanto o histórico e a frequência percebida de EAMC podem predizer a ocorrência de câimbras musculares em triatletas durante uma prova de triátlon de longa distância. MÉTODOS: Este estudo longitudinal incluiu triatletas participantes de uma prova de triátlon de longa distância (Ironman). Participaram 136 triatletas, de ambos os sexos, maiores de 18 anos e que completaram a prova. Nos dias que antecederam a competição, os participantes responderam a um questionário sobre histórico de EAMC e, se positivo, como percebiam a frequência desses episódios: “pouco frequente” ou “muito frequente”. Após a prova, foram contatados para relatar a ocorrência de EAMC durante ou imediatamente após o evento. Utilizou-se regressão logística para analisar os dados. RESULTADOS: Triatletas com percepção de EAMC pouco frequente tiveram 3,2 vezes mais chances (IC 95%: 1,2 a 8,0) de apresentarem EAMC durante a prova em comparação com aqueles sem histórico. Para os que relataram EAMC como muito frequente, a chance foi 19,6 vezes maior (IC 95%: 3,1 a 122,7) em comparação aos que não tinham histórico. CONCLUSÕES: Triatletas com percepção de EAMC muito frequente apresentaram risco significativamente maior de desenvolver EAMC durante a prova em comparação aos que não tinham histórico. Já aqueles com histórico pouco frequente apresentaram risco menor, mas ainda relevante. IMPLICAÇÕES: Esses fatores podem ser utilizados como preditores clínicos para estratégias preventivas. A identificação prévia do histórico e da frequência de EAMC pode auxiliar fisioterapeutas e treinadores a individualizarem planos preventivos, focando na preparação de triatletas com maior risco de câimbras em provas de endurance.