Autopercepção Funcional em Indivíduos com Sensação e Dor do Membro Fantasma Após Amputação do Membro Inferior: Um Estudo Descritivo

Autores

  • YHASMIN GABRIELLY AQUINO PROCKMOW UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP) - CAMPUS RIBEIRÃO PRETO
  • MILENA ZAVATINI SECCO UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP) - CAMPUS RIBEIRÃO PRETO
  • WILKER SANTOS COSTA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP) - CAMPUS RIBEIRÃO PRETO
  • ANA REGINA DE SOUZA BAVARESCO BARROS HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA DE RIBEIRÃO PRETO
  • MARISA DE CÁSSIA REGISTRO FONSECA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP) - CAMPUS RIBEIRÃO PRETO

Resumo

CONTEXTUALIZAÇÃO: A sensação e dor do membro fantasma são consequências frequentemente relatadas após uma amputação. É caracterizada como a sensação ou a dor no membro que não existe mais e considerada uma condição neuropática que pode interferir na realização de atividades, limitando  o autocuidado e a integração em contextos sociais e comunitários. OBJETIVOS: Descrever a autopercepção funcional de indivíduos que usam prótese e apresentam sensação e dor do membro fantasma após amputação de membro inferior, além de caracterizar os tipos de dor relatadas. MÉTODOS: Este é um estudo observacional transversal (CAAE:80562317.1.0000.5440) que selecionou indivíduos com amputação de membro inferior unilateral, protetizada a pelo menos seis meses, com dor fantasma, e em acompanhamento no Ambulatório de Amputados de um serviço de saúde de nível terciário do SUS. Foram utilizados dados sociodemográficos e questionários de autorrelato sobre satisfação com a prótese (SAT-PRO), hábitos de uso da prótese (Escala de Houghton-Br) e atividades (Índice de Capacidade Locomotora - ICL) para descrever a amostra a partir de porcentagens e médias. RESULTADOS: Sessenta e sete indivíduos relataram sentir dor fantasma, eram majoritariamente homens (68,65%), brancos (56,71%), casados (53,73%), com idade média de 55 anos, que possuía ensino fundamental incompleto (49,25%), atualmente aposentada (70,14%), mas que relatou trabalhar antes da amputação (79%). O nível de amputação mais comum foi o transtibial (53,73%), de causa traumática (44,77%) e que apresentavam comorbidades associadas como hipertensão arterial sistêmica (49,25%) e diabetes (44,77%), ou ambas as condições (32,83%). Ainda, a maior parte dos voluntários recebeu sua prótese pelo SUS (89,55%) após aguardarem em média 13 meses, as utilizavam em média há mais de 8 anos e precisavam de um dispositivo auxiliar de marcha (58,20%).  A auto-percepção funcional para atividades do dia-a-dia apresentou média de 33 pontos no ICL (máximo de 42), média de 8 pontos na Escala de Houghton (máximo de 12) e média de 30 pontos no SAT-PRO (máximo de 45). Ainda, a capacidade de andar foi classificada como domiciliar e comunitária limitada (pontuação entre 6 e 8 na Escala de Houghton-Br). Os participantes foram questionados sobre o que sentiam quando apresentavam dor fantasma e obteve-se os relatos de que sentiam o membro amputado ou partes deles se mexerem (31,34%), sentiam coceira (28,35%), sensação de choque (20,9%), e ainda sentiam dor de fato (11,94%). Também foram relatadas, em menor prevalência, sensações como formigamento, queimação, pontadas, fisgada e a sensação de unha encravada. CONCLUSÕES: A dor fantasma se manifesta de forma variada, sendo mais comum sensações de movimento do membro amputado, coceira e choques. Apesar do longo tempo de uso da prótese, a funcionalidade autorrelatada indica limitações moderadas no uso e na satisfação com a prótese, influenciando nas atividades funcionais e na participação social. IMPLICAÇÕES: Os achados reforçam a importância do cuidado centrado no paciente, considerando suas percepções e relatos durante e após a reabilitação visando o retorno à participação social e ao trabalho.

Publicado

2025-08-31

Como Citar

Autopercepção Funcional em Indivíduos com Sensação e Dor do Membro Fantasma Após Amputação do Membro Inferior: Um Estudo Descritivo. (2025). Anais Do Congresso Brasileiro Da Associação Brasileira De Fisioterapia Traumato-Ortopédica - ABRAFITO, 5(1). https://seer.uftm.edu.br/anaisuftm/index.php/abrafito/article/view/2679