Avaliação da Espessura Muscular Abdominal e Lombar em praticantes de corrida de rua com e sem Dor Lombar: Estudo Piloto
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: A corrida é um dos esportes mais praticados no mundo. Apesar de evidências mostrarem diversos benefícios para a saúde, estudos recentes indicam que a prática também envolve riscos de lesões associadas, o qual cerca de 11-85% dos corredores recreativos apresentam pelo menos uma lesão relacionada a corrida (LRC) a cada ano. Entre as LRC está a dor lombar (DL), a qual é a desordem musculoesquelética mais comum na população geral e no esporte. Em corredores, a prevalência da DL varia entre 0,7 a 20,2%. Uma de suas possíveis causas é a fraqueza dos músculos abdominais e lombares. Portanto, é importante a avaliação dessas musculaturas, uma vez que a fraqueza muscular é um dos mecanismos teorizados para DL. OBJETIVOS: Verificar a espessura muscular dos músculos abdominais e multífidos lombares de praticantes de corrida de rua com e sem DL. MÉTODOS: Para a avaliação foram recrutados praticantes de corrida de rua, do sexo masculino, com idade entre 18 e 60 anos, que praticam a modalidade a partir de 15km semanais e participaram de pelo menos uma competição de corrida de rua no ano de 2024 ou 2025, na cidade de Curitiba/PR, e com pelo menos 2 anos de prática. O estudo foi realizado no Centro de Estudos em Prescrição Clínica do Exercício (CEPREX) localizado no Departamento de Prevenção e Reabilitação em Fisioterapia da UFPR e previamente aprovado pelo comitê de ética e pesquisa da UFPR (CAEE: 98134918.0.0000.0102). Primeiramente foi aplicado um questionário semi-estruturado para verificar as características sócio-demográficas e de treinamento. Após foi realizada a avaliação da espessura muscular do reto abdominal (RA), transverso do abdômen (TA), obliquo interno (OI), obliquo externo (OE) e multífidos (MF) pela ultrassonografia. As imagens foram coletadas de forma bilateral. Foram realizadas 3 imagens de cada músculo e a análise foi realizada pelo software Image J. RESULTADOS: Participaram desta avaliação 11 corredores, com média de idade de 42,7±13,0anos. Destes, 3 relataram episódios de DL. Nos participantes sem DL (n=8) os resultados para o lado esquerdo e direito respectivamente foram: RA:9,16±0,70cm e 9,1±0,71cm , TA:4,1±0,57cm e 4,45±0,52cm, OI:7,62±0,82cm e 7,81±0,70cm , para o OE:5,43±0,41cm e 5,23±0,34cm , para os MF:em repouso 2,32±0,67cm e 2,40±0,61cm, para os MF em contração 2,98±0,46cm e 3,05±0,34. Nos participantes com DL (n=3) os resultados foram: RA: 9,7±0,10cm e 10,03±0,20cm, TA:4,90±0,10cm) e 5,16±0,20cm, para o OI:8,80±0,72cm e 8,80±1,0cm, OE:5,80±0,70cm e 5,50±0,78cm, MF:em repouso 0,98±0,10cm e 1,10±0,10cm e por fim, para os MF em contração 1,93±0,11cm e 2,01±0,12cm. CONCLUSÕES: Até o momento não foram verificadas alterações nas espessuras do OI, OE, TA, RA e MF entre os praticantes de corrida com e sem DL. IMPLICAÇÕES: A literatura é escassa no que diz respeito a avaliação de dor lombar em corredores. O estudo tem implicações no entendimento da arquitetura dos músculos do tronco em corredores, para a compreensão dos impactos, ocorridos pela prática de corrida e no impacto da dor lombar. Consequentemente, auxiliará os profissionais no melhor entendimento da função musculoesquelética da coluna, beneficiando na prescrição do treinamento ou tratamento desses indivíduos.