POSSIBILIDADES DE PREVENÇÃO FISIOTERAPÊUTICA NO ENTORSE DE TORNOZELO EM BAILARINAS CLÁSSICAS NÃO PROFISSIONAIS

Autores

  • VINICIUS DA SILVA FREITAS CENTRO UNIVERSITÁRIO VALE DO CRICARÉ (UNIVC)
  • JOYCE MÉDULLY DE SOUZA MACIEL AIRES CENTRO UNIVERSITÁRIO VALE DO CRICARÉ (UNIVC)
  • SILVANA DA CUNHA CORDEIRO CENTRO UNIVERSITÁRIO VALE DO CRICARÉ (UNIVC)
  • THAIS SOUZA BORGES CENTRO UNIVERSITÁRIO VALE DO CRICARÉ (UNIVC)
  • CAMILA HONORIO ALVES ALVES CENTRO UNIVERSITÁRIO VALE DO CRICARÉ (UNIVC)
  • FRANK CARDOSO CENTRO UNIVERSITÁRIO VALE DO CRICARÉ (UNIVC)
  • JOSÉ ROBERTO GONÇALVES DE ABREU CENTRO UNIVERSITÁRIO VALE DO CRICARÉ (UNIVC)

Resumo

CONTEXTUALIZAÇÃO: O ballet é uma forma de dança que potencializa o movimento e a expressão plástica do corpo, permitindo aos bailarinos superarem limitações físicas e fisiológicas. Esta dança é considerada uma atividade que exige muito das articulações porque requer maior amplitude e intensa força muscular, além do alto grau de controle do tornozelo na posição de ponta. Entorse, de uma maneira geral, é um exercício extenuante que faz com que os ligamentos de uma articulação se estiquem ou se rompam. Os entorses de tornozelo, por sua vez, são uma das lesões musculoesqueléticas comuns entre as bailarinas e geralmente envolvem lesões na articulação do tornozelo. Elas podem apresentar complicações que resultam em graus variados de limitações funcionais. Nas bailarinas não profissionais, esse tipo de lesão musculoesquelética também é muito comum, devido à alta intensidade dos treinamentos de uma bailarina, e o alto índice de perfeição nas execuções em que elas se impõem, para alcançar a melhor performance possível. OBJETIVOS: Propõe-se como objetivo geral: Compreender as necessidades e as possibilidades de prevenção do entorse e como objetivos específicos:Analisar o passo de ponta de pé a fim de compreender as possibilidades de prevenção do entorse; Direcionar o entendimento do entorse de tornozelo; Executar testes especiais para averiguar as condições das estruturas de tornozelo das bailarinas envolvidas. MÉTODOS: O presente trabalho é derivado de uma pesquisa de campo, com abordagem qualitativa. A pesquisa de campo foi realizada em uma escola de balé do Norte do Estado do ES, durante o mês de abril de 2024. Os critérios de inclusão no estudo consistiram em estar atuante na prática do balé, concordar com o termo de consentimento e a participação da pesquisa, e usar a sapatilha de ponta. Para a coleta de dados foi empregado o questionário de características das lesões musculoesqueléticas na prática da dança (balé), onde foi coletado: I. Dados pessoais (tais como nome, idade, sexo, peso, altura, estado civil e profissão; como também sobre o tempo de prática no Ballet, frequência semanal, tempo diário em minutos, quem motivou a fazer Ballet, ciclo de treino atual, idade que começou no Ballet, idade que começou a competir, número de vezes que participou de competições, membro dominante e tempo de uso de sapatilha de ponta); II. Informações acerca da prática do Ballet (tempo de treino, alteração musculoesquelética, se sofreu alguma lesão no último ano, local da lesão, momento da lesão, dias sem treinar, diagnóstico, método de tratamento, e se foi apresentado algum sintoma após o retorno) e III. Informações sobre as lesões, se houver (local da lesão, momento da lesão, dias sem treinar, diagnóstico, método de treinamento e se foi apresentado algum sintoma quando retornou. Este projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o parecer n 6.534.894. RESULTADOS: No primeiro contato com as participantes da pesquisa foi realizada uma breve explicação sobre a pesquisa, sobre a entorse de tornozelo e suas possibilidades. Foram feitas três perguntas: qual o seu nome, o que é Ballet para você e o que o Ballet pode acarretar. Algumas das respostas foram: “O Ballet é para mim uma forma de expressão.  Quando eu danço, me sinto mais leve, então para mim é tudo, é o que eu sinto.”; “É mais lesão externa, por exemplo, calo com sapatilha de ponta, calos, bolhas e muita dor nas costas, porque eu tenho escoliose. Mas o Ballet, como eu faço desde pequena, me ajudou muito nessa questão de escoliose. Quando fazemos exercícios de flexibilidade e outras coisas, fico com dor no dia seguinte.” No mesmo dia, foram feitos dois testes nas alunas durante a pesquisa de campo. O teste de gaveta anterior lateral, que é o teste segundo Cook e Hegedus e o teste de estresse em inclinação medial do tálus, segundo Cook e Hegedus. Ambos os testes deram negativos em todas as participantes. O baixo índice de lesões e de alterações musculoesqueléticas nas alunas, nos mostra que a quantidade de treinos está dentro dos padrões da prática de exercícios físicos e, que os treinos estão sendo adequados, não promovendo sobrecarga. Na pergunta 2, foi questionado sobre alterações musculoesqueléticas nas alunas, e somente a aluna ALF informou alterações na panturrilha, coxa e joelho, enquanto as outras, informaram que não tiveram nenhum tipo de alteração. As alterações ocorridas na participante citada, não corresponde com as estruturas do tornozelo, e sim, em outras regiões dos membros inferiores, sendo que a mesma, na realização dos testes, não sentiu nenhum tipo de desconforto. No segundo dia de sessão foi realizada a aplicação de mais 2 testes e para responderem o questionário. Os testes que foram feitos foi o de Regra de predição clínica do impacto e o Teste de dorsiflexão forçada, as alunas AL e NC sentiram dor, e as outras participantes deram negativo. Diante disso, mesmo que elas não tenham sofrido lesão por causa do Ballet, sentem dor mediante a realização destes testes devido aos movimentos repetitivos e complexos que o Ballet exige que elas façam. No último dia aplicação da pesquisa foi realizada a medição da pesagem e altura das alunas e aplicação de mais dois testes: Teste de linha de Feiss (ângulo do arco longitudinal do pé) e o Teste da queda do navicular, No teste Feiss todas deram negativo, e no Teste da queda do navicular, as alunas ML, NC e ALF deram positivo, e as outras negativo. A aluna ML pratica Ballet há 11 anos, já participou de 10 competições e treina 3 vezes por semana. A aluna NC pratica Ballet há 15 anos, já participou de 14 competições e treina 1 vez por semana. A aluna ALF pratica Ballet há 8 anos, já participou de 6 competições e treina 3 vezes por semana.  CONCLUSÕES: Bailarinas tem a maior prevalência de ter entorses devido à alta carga exercida nos membros inferiores. Através desta pesquisa, pudemos compreender que a academia de dança do Norte do Espírito Santo tem estrutura e preparo para evitar entorses em suas alunas, visto que elas têm um longo tempo de prática nessa academia, e nunca sofreram lesões relacionadas a prática do Ballet. Mas, devido aos exercícios e treinamentos intensos e que sobrecarregam as articulações dos membros inferiores, há a necessidade de exercícios de prevenção para que as alunas, futuramente, não sofram com esse tipo de problema. Concluiu-se pelos estudos dos autores citados acima que a entorse de tornozelo é muito comum em bailarinas, e o papel do fisioterapeuta, entra como imprescindível para a prevenção dessa lesão, e para o tratamento dela, caso aconteça. Exercícios preparatórios, alongamentos específicos e entre outras medidas, entram como necessários antes de treinamentos intensos e espetáculos recorrentes. Conclui-se ainda que, durante a prática do balé, o antepé é a área que mais recebe pressão. Além disso, devido aos impactos de intensas sobrecargas quando se usa sapatilhas de ponta, surgem lesões osteomioarticulares, principalmente na articulação do joelho e na região dos dedos dos pés. As bailarinas possuem uma rotação mais externa do quadril e uma rotação interna menor. Na posição de ponta, a articulação do tornozelo é submetida a uma flexão plantar de grande amplitude, logo, as bailarinas têm uma maior eficiência no controle do equilíbrio quando comparadas às não praticantes de balé clássico. Também é preciso ter flexibilidade nas articulações corporais, sobretudo para a região do tornozelo, o que também é um fator de problemas musculoesqueléticos em praticantes de balé. Foi possível identificar as possibilidades e necessidades para se prevenir uma entorse, e com isso, alcançou-se as respostas dos objetivos. Foi analisado o passo de ponta juntamento com a sapatilha de ponta, demonstrando as limitações do material utilizado para a fabricação dessas sapatilhas, e o esforço que é causado na articulação do tornozelo através desse passo. IMPLICAÇÕES: Diante dos resultados apresentados nesta pesquisa, vê-se a necessidade de ampliação da mesma com um estudo mais avançado, com um período mais longo de observação e aplicação de testes, um número maior de participantes dentro do estudo, bem como, outras variáveis e elementos, aulas de exercícios preventivos e tratamentos com um fisioterapeuta para a preparação das alunas, caso aconteça o entorse com alguma delas.

Publicado

2025-08-31

Como Citar

POSSIBILIDADES DE PREVENÇÃO FISIOTERAPÊUTICA NO ENTORSE DE TORNOZELO EM BAILARINAS CLÁSSICAS NÃO PROFISSIONAIS. (2025). Anais Do Congresso Brasileiro Da Associação Brasileira De Fisioterapia Traumato-Ortopédica - ABRAFITO, 5(1). https://seer.uftm.edu.br/anaisuftm/index.php/abrafito/article/view/2686