CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E ENTENDIMENTO DA DESCARGA DE PESO PARCIAL DE PACIENTES PÓS-CIRÚRGICOS DEVIDO A LESÃO MUSCULOESQUELÉTICA NO MEMBRO INFERIOR: UM ESTUDO TRANSVERSAL

Autores

  • ANDRÉA LICRE PESSINA GASPARINI UNIVERSIDADE FEDERAL DO TRIÂNGULO MINEIRO (UFTM)
  • LETICIA APARECIDA OLIVEIRA ARAÚJO ARAÚJO UNIVERSIDADE FEDERAL DO TRIÂNGULO MINEIRO (UFTM)
  • KAROLINE DANTAS JONAS JONAS UNIVERSIDADE FEDERAL DO TRIÂNGULO MINEIRO (UFTM)
  • ANA LUÍSA ARMONDES DE PAULA ALMEIDA UNIVERSIDADE FEDERAL DO TRIÂNGULO MINEIRO (UFTM)
  • SÉRGIO ANTÔNIO ZULLO UNIVERSIDADE FEDERAL DO TRIÂNGULO MINEIRO (UFTM)
  • DENISE MARTINELI ROSSI UNIVERSIDADE FEDERAL DO TRIÂNGULO MINEIRO (UFTM)

Resumo

CONTEXTUALIZAÇÃO: O aumento dos acidentes de trânsito tem contribuído para o crescimento de traumas ortopédicos, com destaque para fraturas em membros inferiores em homens jovens. O tratamento cirúrgico e a reabilitação precoce são essenciais para a recuperação. No entanto, a desinformação sobre a descarga de peso no pós-operatório compromete a adesão às condutas, impactando negativamente os desfechos clínicos. OBJETIVOS: Descrever o perfil de pacientes pós-cirúrgicos de fraturas em membro inferior quanto ao tratamento escolhido, tempo para descarga de peso parcial, realização ou não de fisioterapia no pós-cirúrgico imediato e atual e entendimento e aderência do paciente acerca das instruções sobre a descarga de peso fornecidas pela equipe médica. MÉTODOS: Trata-se de um estudo do tipo observacional transversal, realizado no Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, em Uberaba (MG), envolvendo pacientes no pós-operatório de lesões musculoesqueléticas nos membros inferiores, liberados para descarga de peso. A coleta de dados foi realizada por meio de ficha padronizada, análise de prontuários e aplicação de escalas validadas para avaliação da dor e da cinesiofobia. O atual estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética Local (CAAE: 78439224.1.0000.5154). RESULTADOS: Dos 42 pacientes analisados, 61,9% eram do sexo masculino, com idade média de 47,19 anos. O mecanismo do trauma mais frequente foi o acidente motociclístico, representando 45,2%, associado a maior frequência de fraturas da tíbia, predominantemente tratadas com fixador externo. Durante a internação, apenas 4,8% dos pacientes receberam atendimento fisioterapêutico no pré e pós-operatório, enquanto 71,4% foram atendidos exclusivamente no pós-operatório. No período pós-alta, um percentual significativo (66,7%) não realiza acompanhamento fisioterapêutico. O intervalo entre o trauma e a cirurgia foi de até dois dias para 50% dos pacientes e de até sete dias para 75%. A liberação para descarga de peso ocorreu em até 62 dias para metade dos pacientes, e em até 118,5 dias para 75% deles. Em relação à percepção de segurança para a descarga de peso, 71,4% relataram não se sentirem seguros, sendo que 45% desses afirmaram que uma melhor compreensão das instruções médicas os ajudaria a se sentirem mais confiantes. A média na Escala de Tampa foi de 41,25 pontos, indicando níveis relevantes de cinesiofobia. Já as médias da Escala Verbal Numérica de dor foram de 1,78 em repouso e 3,99 durante o movimento. Esses achados sugerem que a dor, aliada ao medo do movimento e à insegurança quanto à descarga de peso, pode comprometer a adesão ao tratamento fisioterapêutico. CONCLUSÕES: Os resultados evidenciam que apenas 54,8% dos pacientes compreendem adequadamente as instruções sobre a descarga de peso, enquanto 45,2% relatam dificuldades nesse entendimento. A ausência de acompanhamento fisioterapêutico contínuo, somada à presença de dor e cinesiofobia, pode comprometer negativamente a qualidade da reabilitação funcional. Esses achados ressaltam a relevância da educação em saúde e da atuação fisioterapêutica estruturada no pós-operatório, como estratégias fundamentais para promover maior segurança, adesão ao tratamento e melhores desfechos clínicos durante o processo de reabilitação. IMPLICAÇÕES: Devido à significativa importância do impacto do trauma musculoesquelético e sua crescente incidência, este se configura como um problema de saúde pública que demanda atenção particular. Um levantamento de dados a fim de conhecer e compreender o perfil das vítimas do trauma, incluindo a complexidade dos distúrbios ortopédicos e traumatológicos enfrentados por essa população faz-se necessário contribuindo com propostas de estratégias políticas de conscientização e planejamentos. Ademais, a investigação entre o tratamento cirúrgico escolhido, tempo de consolidação ósseaou não consolidação, progressão da descarga de peso parcial até a total e a prescrição e adesão à fisioterapia emerge como um aspecto fundamental para o desenvolvimento de abordagens terapêuticas mais eficazes e individualizadas aos pacientes afetados por esse tipo de lesão. Considerando o paciente, destaca-se a importância de compreender o grau de entendimento dos pacientes em relação às orientações médicas, uma vez que a não conformidade com as orientações pós-tratamento repercute diretamente nos desfechos clínicos e na qualidade de vida do indivíduo.  

Publicado

2025-08-31

Como Citar

CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E ENTENDIMENTO DA DESCARGA DE PESO PARCIAL DE PACIENTES PÓS-CIRÚRGICOS DEVIDO A LESÃO MUSCULOESQUELÉTICA NO MEMBRO INFERIOR: UM ESTUDO TRANSVERSAL. (2025). Anais Do Congresso Brasileiro Da Associação Brasileira De Fisioterapia Traumato-Ortopédica - ABRAFITO, 5(1). https://seer.uftm.edu.br/anaisuftm/index.php/abrafito/article/view/2694