Influência do volume de treino resistido equalizado e não-equalizado em dor e função na dor patelofemoral: revisão sistemática com meta-análise
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: Exercício resistido é amplamente recomendado para o tratamento da dor patelofemoral (DPF), mas os mecanismos de melhora clínica permanecem pouco esclarecidos. O volume total de treino é uma variável do exercício resistido associado a melhora da força, hipertrofia e melhora de desfechos em saúde na população geral. No entanto, não existem estudos verificando os efeitos da equalização do volume de treino na dor e função em pacientes com DPF. OBJETIVOS: Investigar os efeitos do volume de treino equalizado e não-equalizado entre os grupos de intervenção na dor e função em pacientes com DPF. MÉTODOS: Foi realizada uma busca sistemática na MEDLINE, EMBASE, Cochrane, CINAHL, PEDro Scopus, SPORTDiscus e Empistemonikos. Foram incluídos ensaios controlados aleatorizados que avaliaram os efeitos de qualquer exercício resistido em indivíduos com DPF com idade entre 15 e 45 anos. Os estudos foram classificados em dois grupos: (1) Volume não equalizado, onde um dos grupos recebeu um volume maior de exercícios resistidos em comparação ao outro grupo, independentemente do foco do exercício; (2) Volume equalizado, onde ambos os grupos realizaram a mesma quantidade total de exercícios, mas com focos diferentes, sendo que o grupo experimental priorizou o fortalecimento de quadríceps e/ou glúteos, enquanto o grupo controle treinou outros grupos musculares. Dois revisores independentes realizaram a triagem de ensaios elegíveis, extraíram dados, avaliaram a qualidade metodológica (PEDro), risco de viés (RoB) e a certeza da evidência (GRADE-PRO). Meta-análises foram conduzidas utilizando o modelo de efeitos aleatórios. Registro PROSPERO: CRD42021274218. RESULTADOS: Foram incluídos 37 ensaios clínicos, envolvendo 1.853 participantes. Nos estudos com volume não equalizado, o grupo com maior volume apresentou redução da dor imediatamente após a intervenção (SMD = -0.88; 95% CI -1.39 a -0.36) e além do período de intervenção (MD = -1.66; 95% CI -3.02 a -0.31), além de melhora na função imediatamente após o período de intervenção (SMD = 0.66; 95% CI 0.19 a 1.12) e além do período de intervenção (SMD = 1.03; 95% CI 0.22 a 1.84) comparado ao grupo com menor volume de treino, com baixa certeza da evidência. Nos estudos que equalizaram o volume de treino, não houve diferenças entre os grupos na dor e função. CONCLUSÕES: O maior volume de treino resultou em melhores desfechos de dor e função em comparação com um volume menor. Por outro lado, estudos com volumes de treino equalizados não mostraram diferenças significativas independente do grupo muscular fortalecido. IMPLICAÇÕES: Este estudo reforça a importância de padronizar e equalizar o volume de treino em pesquisas futuras para isolar com mais precisão o impacto de cada grupo muscular na DPF. Clinicamente, os achados indicam que o tratamento da DPF tende a ser mais eficaz quando envolve o fortalecimento global do membro inferior, em vez de focar apenas em musculaturas específicas. Essa abordagem amplia as possibilidades de intervenção, facilita a prescrição fisioterapêutica e ressalta a relevância do volume de treino para alcançar melhores resultados clínicos.