COMPARAÇÃO DA FORÇA DOS ROTADORES DE OMBRO ENTRE JOGADORAS AMADORAS DE VOLEIBOL E HANDEBOL UNIVERSITÁRIO
Resumo
CONTEXTUALIZAÇÃO: O voleibol e o handebol são modalidades esportivas que impõem demandas distintas aos músculos rotadores do ombro. Enquanto o handebol envolve gestos repetitivos de arremesso, que exigem alta potência dos rotadores mediais, o voleibol utiliza ataques, bloqueios e defesas que solicitam ambos os grupos musculares, podendo promover maior equilíbrio funcional. Avaliar possíveis diferenças de força entre esses atletas pode contribuir para estratégias específicas de prevenção de lesões e otimização do desempenho. OBJETIVOS: Comparar a força isométrica dos rotadores mediais (internos) e laterais (externos) do ombro dominante entre jogadoras universitárias amadoras de voleibol e de handebol. MÉTODOS: Estudo transversal com 35 atletas universitárias amadoras, sendo 14 jogadoras de voleibol (22,5 ± 4,9 anos; 1,714 ± 0,046 m; 70,16 ± 13,06 kg) e 21 de handebol (21,3 ± 3,1 anos; 1,640 ± 0,060 m; 64,85 ± 9,81 kg). A força isométrica dos rotadores do ombro dominante foi avaliada na posição de 90° de abdução e 90° de rotação externa (posição 90-90), com contração sustentada por 5 segundos, utilizando dinamômetro portátil (MicroFET 2, Hogan Health Industries, UT). A razão entre força dos rotadores externos e internos (FREFRI) também foi calculada. Foi utilizado o teste de Shapiro-Wilk para verificar a normalidade dos dados, descritos em média e desvio padrão. O teste t de Student para amostras independentes comparou os grupos, com significância estabelecida em 5%. Aprovação ética: CAAE 2313424.2.1001.5346. RESULTADOS: Houve diferença significativa na estatura (p < 0,001), com as jogadoras de voleibol sendo mais altas, mas não houve diferença para idade e massa corporal. As jogadoras de handebol apresentaram maiores valores médios de força dos rotadores internos (17,18 ± 4,01 N) e externos (12,35 ± 2,32 N) do ombro dominante em comparação com as jogadoras de voleibol (FRI: 14,03 ± 3,28 N; FRE: 10,61 ± 1,95 N), com diferenças estatisticamente significativas (p = 0,028 e p = 0,037, respectivamente). A razão (FREFRI) foi semelhante entre os grupos (vôlei: 0,78 ± 0,20; handebol: 0,74 ± 0,15; p = 0,442), indicando equilíbrio funcional entre músculos agonistas e antagonistas. CONCLUSÕES: Atletas de handebol apresentaram maior força absoluta dos rotadores do ombro, possivelmente relacionada à demanda específica do arremesso. Contudo, a razão entre forças manteve-se semelhante entre os grupos, sugerindo equilíbrio muscular funcional. Esses dados podem orientar intervenções específicas para cada modalidade. IMPLICAÇÕES: Os achados reforçam a importância da avaliação específica por modalidade para elaboração de programas de fortalecimento e prevenção de lesões no ombro. Profissionais de fisioterapia e educação física podem usar esses dados para desenvolver intervenções personalizadas, respeitando as exigências biomecânicas de cada esporte.