Avaliação da funcionalidade após fraturas de joelho: dados de uma revisão de escopo

Autores

  • LETÍCIA MAZUCATO BALDIN UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP) - CAMPUS RIBEIRÃO PRETO
  • ISABELLA AMADOR BUENO UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP) - CAMPUS RIBEIRÃO PRETO
  • NATÁLIA VITÓRIA CAETANO UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP) - CAMPUS RIBEIRÃO PRETO
  • LIDIA MARIA PRADA PRADA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP) - CAMPUS RIBEIRÃO PRETO
  • MARISA DE CÁSSIA REGISTRO FONSECA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP) - CAMPUS RIBEIRÃO PRETO
  • ALINE MIRANDA FERREIRA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP) - CAMPUS RIBEIRÃO PRETO

Resumo

CONTEXTUALIZAÇÃO: As fraturas de joelho impactam significativamente a função corporal, uma vez que essa articulação fornece suporte estrutural e funcional à locomoção e estabilidade. Nessa diretriz, a avaliação da funcionalidade em pacientes acometidos por tais lesões revela-se essencial para monitorar a reabilitação, orientar condutas terapêuticas e avaliar a efetividade das intervenções. Dentre os instrumentos disponíveis, destacam-se os Clinician-Reported Outcome Measures (ClinROs), que oferecem uma análise padronizada sob a ótica do profissional, e os Patient-Reported Outcome Measures (PROMs), que permitem ao paciente expressar sua percepção subjetiva de melhora. Contudo, não há consenso consolidado sobre a utilização destes instrumentos para essa população. OBJETIVOS: Identificar os instrumentos mais utilizados na literatura para mensurar a função de adultos após fraturas de joelho. MÉTODOS: Trata-se de uma análise secundária de uma revisão de escopo sobre instrumentos de avaliação funcional em adultos (>18 anos) com fraturas de joelho, conduzida conforme as diretrizes PRISMA-ScR e registro na Open Science Framework. A busca foi realizada nas bases Medline (PubMed), PEDro e Biblioteca Cochrane, considerando estudos dos últimos 10 anos, publicados em inglês. Dois revisores independentes realizaram a triagem de títulos e resumos na plataforma Rayyan, seguida pela leitura dos textos completos e extração de dados referentes às características dos estudos, perfil demográfico das populações e utilização de ClinROs e PROMs, organizados em tabela padronizada. RESULTADOS: Dos 271 estudos incluídos, 257 utilizaram instrumentos de avaliação da funcionalidade. Quanto ao local de fratura, observaram-se: planalto tibial (57,6%), patela (23,7%), fêmur distal (9,7%), luxação de joelho (5,1%) e joelho flutuante (1,6%) e joelho geral (2,3%). Verificou-se que 62,7% dos estudos empregaram PROMs (15 variações) e 50,1% utilizaram ClinROs (20 variações). O ClinRO mais frequente foi o HSS (17,1%), seguido do Rasmussen clinical score (14%). Entre os PROMs, destacaram-se o Lysholm (28%) e o KOOS (21,7%). Houve variação na escolha dos instrumentos conforme o tipo de fratura: no planalto tibial, destacaram-se o HSS (n 39; 26,6% ) e o KOOS (n 38; 25,7%); na patela, o Bostman (n 26; 42,6%) e o Lysholm (n 25; 41%); no fêmur distal, o Neer’s Scoring System (n 3; 12%), LEFS e KSS Subjective (n 4; 16% cada); no joelho flutuante, o Karlström and Olerud criteria (n 3; 75%), KOSS e Lysholm (n 1; 25% cada); e nas luxações de joelho, o IKDC objetivo  (n 3; 23,1%) e Lysholm (n 13; 100%). CONCLUSÕES: A seleção dos instrumentos variou amplamente, evidenciando a ausência de padronização na literatura atual. Dentre os instrumentos identificados, apenas o LEFS, Womac, SFMA, KOOS e PROMIS tiveram suas propriedades psicométricas analisadas para pacientes com fraturas do joelho e, ainda assim, a maioria para pacientes com fratura do planalto tibial lateral. IMPLICAÇÕES: A falta de uniformidade dificulta a comparação entre estudos, a aplicação clínica e o acompanhamento terapêutico. Desta forma, destaca-se a urgência em validar tais instrumentos para fraturas de joelho, promovendo maior confiabilidade e padronização nas avaliações, possibilitando intervenções mais direcionadas e eficazes.

Publicado

2025-08-31

Como Citar

Avaliação da funcionalidade após fraturas de joelho: dados de uma revisão de escopo. (2025). Anais Do Congresso Brasileiro Da Associação Brasileira De Fisioterapia Traumato-Ortopédica - ABRAFITO, 5(1). https://seer.uftm.edu.br/anaisuftm/index.php/abrafito/article/view/2709